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sexta-feira, 8 de março de 2013

dia da mulher: um recado curto e grosso

Vou tentar passar o dia longe do Facebook/Twitter porque NÃO SOU OBRIGADA a ver os posts escrotos de galera que acha que é super engraçado postar "Feliz Dia das Mulheres!!!!!" com fotos de vassoura e ferro de passar, ou satirizar a violência doméstica que mata gente pra caralho ou mandando a gente ficar na cozinha. Cês tem que ser escrotos demais pra fazerem esse tipo de coisa, porque, sabe, a gente tá MORRENDO enquanto vocês acham que a nossa subjugação e violência é brincadeira.

Para o meu bem-estar, vou TENTAR (e tentar não significa conseguir) ficar longe dessas pessoas que tornam hoje, um dia que deveria ser tão político e bem-lembrado, um dia para me deixar triste com a humanidade. Eu não tenho condições psicológicas nenhuma de aguentar esse tipo de coisa. Eu realmente não tenho. Eu estou cansada demais de vocês.

Então, apenas isso. Obrigada pela atenção :3

(o post é curtinho mesmo. Eu não faria um post especial de qualquer jeito, porque eu sempre estou falando de feminismo e de mulheres e tudo o mais, então todos os dias são Dia da Mulher para mim.)

(se você é um cara e quer, de fato, dar um Feliz Dia da Mulher para sua esposa ou sua mãe ou qualquer pessoa... parabenize-a pelo que ela é. Não pela capacidade procriadora dela, ou porque ela é "terna e sensível e delicada" como todas as mulheres. Parabenize-a por ainda não ter se matado nesse mundo machista que vivemos, porque só isso já a faz uma sobrevivente. E faça isso todos os dias, não apenas hoje)

(que hoje as mulheres consigam ter um dia feliz. as mulheres cis. as mulheres trans também, obviamente. todas vocês! <3)

MELHOR PRESENTE DE TODOS OS TEMPOS BJ (from fracktail)

quarta-feira, 6 de março de 2013

às vezes desistir é uma opção

Há algum tempo atrás, eu li 3096 Dias, que conta a história real de Natascha Kampusch, austríaca sequestrada aos dez anos e conseguiu fugir aos oito. O livro me impressionou não pelas circunstâncias do sequestro e sobre como uma pessoa pode ser tão cruel, mas pela maneira como Natascha era franca e muito honesta sobre a ligação psicológica que existiu entre ela e o seu sequestrador. Mesmo ele tendo cometido um crime, mesmo ele tendo a agredido psicologicamente e fisicamente, mesmo ele tendo chegado ao ponto de tentar sufocar a sua identidade, ainda assim ela estabeleceu uma relação com ele no qual ele não o odiava. Porque o ódio a mataria. Então ela o perdoou. A cada agressão, ela o perdoava. Por mais ferida e machucada que estivesse, ela o perdoava. Era uma estratégia para a própria sobrevivência, não porque ela fosse uma boa samaritana. Porém ela teve ocasiões de fugir diversas vezes. E não fugiu.

O motivo era simples, mas difícil de entender: a certa altura, o seu cativeiro não era mais físico, e sim psicológico.

Eu acho interessante quando ela fala sobre isso no livro, porque me faz ver que ela não é exceção. Muito pelo contrário: nós costumamos pensar que somos livres, mas existem dentro de nós certos monstros e correntes que nos prendem muito mais do que supomos. E então perdoamos constantemente a quem nos agride, nos culpando eventualmente, lembrando que são nossos pais e amigos, nossos namorados e conhecidos. E a pior parte é que nós damos essa permissão para que essas pessoas sejam como o sequestrador de Natascha. Nós temos esse vínculo. Nós guardamos os bons momentos, os sorrisos, as gentilezas. Toleramos os insultos. E assim esticamos os nossos limites até o máximo, enquanto der, enquanto for suportável.

Isso não é tão cruel? Que haja pessoas e pessoas e que boa parte delas tem dependência psicológica uma da outra tão forte que mal conseguem se libertar? Que haja pessoas que saibam disso e apenas querem manter o controle? Que haja pessoas que reconhecem esse controle, mas resolvam se submeter ainda assim porque se sente culpado demais para se livrar disso? Que toda essa merda acontece todos os dias, perto demais de nós para que possamos fingir ignorar? E então você tenta não ignorar. Você, acreditando que é apenas uma questão de ajuda, tenta realmente dar a sua visão como alguém de fora. Desista. Não adianta. Toda a sua lógica vai cair em ouvidos surdos. Sente e espere, e observe como as pessoas trilham a própria derrota, e nem sequer se dão conta disso. Não que você esteja certo. Claro que não. Nem sempre a situação está dividida entre extremos opostos, preto e branco, bem e mal. Há amor e há ciúmes, há ódio e há gratidão. Há dívidas a serem pagas e há mágoas nunca resolvidas. E por mais que você ame alguém, você não pode tentar salvar esse alguém, especialmente quando ele não quer ser salvo.

Você não pode lutar contra todo mundo. Às vezes as coisas estão fora do seu controle.
Às vezes esse alguém que precisa fugir por si mesmo. Como Natascha. Ela precisou de oito anos para fugir do seu sequestrador. É o tempo de uma criança brasileira aprender a ler no começo, e no final começar a fase pré-vestibular (1ª à 8ª série, na antiga grade). Então não adianta muita coisa. Às vezes você apenas precisa desistir.

Então.
Parabéns pela vitória.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Semana 1 - Coisas que me fazem ficar feliz:

Hi <3
Hoje resolvi começar o meme "52 semanas" que é basicamente um post por semana, no qual você faz um top 5 do tema proposto. Eu gosto desse tipo de meme porque você aprende a exercitar um pouco de disciplina na sua vida e porque evita longos períodos sem postar por falta de criatividade, então eu achei uma boa idéia. O tema da primeira semana é "coisas que me fazem ficar feliz". Eu achei um bom tema para se começar, porque eu gosto muito de falar sobre coisas boas e alegres. Considero que o mundo é tão triste e tão cruel que sempre é bom tentar manter as coisas boas ao seu redor e tentar espalhar mais amor por aí. Eu sei que é muito brega, bem feeling Harry Potter no qual Harry descobre que é o amor que é a sua proteção contra Voldemort, mas a verdade é que quando você é uma pessoa que tenta manter uma atmosfera de bondade, compreensão e respeito, as pessoas ao seu redor são afetadas por isso.

Mas deixando de enrolar e indo para o post, eu pensei sobre 5 coisas simples que me fazem ficar muito feliz. Coisas que parecem pequenas, mas que realmente me fazem ficar muito, muito contente e podem mudar o meu dia. E todas são coisas que podem se repetir na minha vida, seja uma vez a cada dois dias ou a cada rotação completa de Saturno, de modo que excluí tópicos como "passar no vestibular", "situações épicas" e coisas do gênero. 

perdi o link do post, mas é do tumblr yeeeap
 #1. Ver uma candid linda de Christina Aguilera

As pessoas podem não entender muito bem, porque boa parte delas não sabe o que é ser fã. Mas quem é fã (de qualquer artista) entende o meu sentimento. Quando eu estudava e trabalhava, era comum que eu chegasse em casa muito cansada e então acessar o ILoveAguilera e ver que havia uma candid dela, ou seja, fotos dela na rua, shopping, saindo de restaurante, qualquer coisa assim. Ver essas fotos, com ela sorrindo para os jornalistas, às vezes com seu filho Max, me deixa imensamente feliz. Eu amo saber que ela está bem, independente dos resultados das vendas ou das críticas que os jornais tanto fazem. Eu gosto de ver Max tão saltitante e carismático, eu gosto de ver Christina em seus mínimos detalhes.

Fico triste como mesmo fãs ficam tão preocupados se ela está gorda ou não, analisando tudo em tantos detalhes. Eu entendo que, nos tempos atuais, seja enervante ter um candid dela a cada dez alinhamentos planetários exatos e os candids não serem muito entusiasmadores com ela se escondendo no carro. Eu mesma fico muito frustrada com as notícias recentes e com os frequentes sumiços dela, mas o que eu posso fazer? Eu apenas espero pela próxima vez que ela sairá nas ruas, sorrindo, com os cabelos de alguma cor diferente e então eu sei que ela está viva e inteira <3
e eu esqueci a fonte dessa imagem socorro
#2. Ver casais dando certo

Se tem uma coisa que eu fico feliz de nunca ter sido é ter adquirido qualquer espécie de rancor por ver os outros se relacionando. Mesmo quando meu relacionamento que durou quase quatro anos acabou, eu nunca me permiti olhar para as outras pessoas e achar realmente que é um erro as pessoas se apaixonarem. Tenho a tendência de ser cínica e amarga sobre muitas coisas, mas só sobre mim. Mas quando eu vejo outras pessoas, especialmente se forem amigos meus, formando casais e estão bem naquela fase de apaixonados, eu fico muito, muito feliz.

Eu acho triste que tantas pessoas, estando solteiras, considerem insuportável ver outros casais, especialmente amigos, porque tem todo um sentimento de "por quê eles, por quê não eu" no qual a pessoa fica infeliz por estar solteira (que, na cabeça dela, é a mesma coisa que estar sozinha e deprimida). Mas eu prefiro ficar feliz por ver pessoas juntas <3

(isso não significa absolutamente que eu seja uma pessoa romântica ou algo do gênero. Eu não gosto muito de declarações públicas ou qualquer coisa que chame a atenção. Eu gosto de ver casais entrosados e bonitinhos entre eles, e é isso que me importa) 

não é bem essa a visão, mas dá pra ter uma idéia de como a cidade é. achei a foto aqui
 #3. Quando eu retorno de uma viagem para Conquista de noite e vejo os brilhos da cidade

Conquista nunca foi o meu lar. Isso é uma verdade que eu não posso negar. Mesmo que eu viva aqui desde os três anos de idade, não dá para eu dizer que essa cidade seja propriamente um lar, por motivos diversos. E toda vez que eu viajo para qualquer lugar, na maioria das vezes, eu retorno à noite. E você vê o céu lindo que essa cidade tem escurecendo, com todas as luzinhas. E é realmente lindo.

Para entender melhor, pensa que a cidade é como uma bacia. Então quando você se aproxima da cidade, na estrada, você pode vê-la toda. Com todas as suas luzes. E às vezes você pode até mesmo reconhecer os prédios. E estranhamente, é nesse momento que eu sinto que eu cheguei em casa.

um gatinho manhoso para me esperar em casa <3
 #4. Ter alguém me esperando em casa

Eu sei que é comum muitos adolescentes não entenderem bem esse ponto, porque nós vivemos com as nossas famílias e ansiamos por morarmos sozinhos. É algo compreensível e um dia eu quero viver sozinha. Mas, gente, eu passei a minha vida toda morando com, pelo menos, cinco pessoas. E então em 2010/2011 (eu não me recordo direito) eu me mudei para viver apenas com minha mãe e minha irmã. No último ano, minha irmã foi trabalhar em outra cidade e desde então eu vivo com minha mãe. Minha mãe trabalha à noite, então de vez em quando eu fico noites sozinha em casa. É algo que me acostumei.

E é algo que me fez valorizar completamente ter alguém te esperando em casa. Quando eu trabalhava e chegava seis e meia da tarde, eu gostava de ver que ela ainda estava em casa, com as luzes acesas e tudo o mais. Acredite, é um pouco depressivo estar tudo desligado e silencioso, sem alguém para lhe falar as coisas do dia. De modo que eu confesso que quando eu penso em morar sozinha, penso em ter gatos ou algo do gênero, apenas com o propósito egoísta de encher a casa com outras criaturas vivas e sentir que alguém me espera, nem que seja para dar a comida.

pra todas vocês, suas lindas (fonte: fuckyeahsubversivekawaii)
 #5. Quando alguém diz que eu a ajudei de verdade

(pronome feminino porque, até então, foram todas garotas)

Quando eu escrevia para a Descapricho, a gente recebia e-mails de garotas adolescentes. Às vezes elas desabafavam sobre os seus problemas. E eu gostava de responder às mensagens. Eu passei minha adolescência toda na internet, em fóruns de orkut, conversando com as pessoas. Eu não me importava se elas eram falsas ou não. Fazia questão absoluta de participar dos debates mais polêmicos, sobre aborto, religião, feminismo, política, etc. Enfim, gastei muito tempo construindo argumentos e conversando com pessoas.

Aí o tempo passa. E uma vez eu recebi um e-mail de uma garota me agradecendo, porque eu a ajudei. Porque eu a ajudei a se encontrar no ateísmo e feminismo, e toda uma série de coisas que me fez ficar realmente muito feliz. Ela foi uma das pouquissímas, mas eu gosto de lembrar o nome de todas as meninas que já comentaram comigo, casualmente ou não, de que eu as ajudei, nem que seja na briga. De que eu fiz alguma diferença na vida delas.

Então, todas as vezes que alguém diz que um debate na internet não muda nada, eu sempre lembro dessas garotas. Muda sim. Discordância gera conflito, e conflito pode gerar um diálogo, e diálogo pode mudar a cabeça de muita gente. Se eu tivesse ficado calada e tivesse decidido me manter feminista só para mim, eu nunca ia fazer diferença na vida de ninguém. Eu teria ficado na minha zona confortável. Mas eu não quero. Eu quero continuar fazendo alguma diferença, nem que seja mínima. E, obrigada a vocês, meninas que sabem quem são, por terem me dito isso. Obrigada por serem quem são hoje e obrigada por me darem força para melhorar a mim mesma <33

sábado, 2 de março de 2013

O seu feminismo não me representa

Caitlin Moran, autora de How To Be a Women (resenha aqui)
Esses dias rolou uma treta entre as feministas por conta de questões raciais. Não adentrando os detalhes porque eu mesma não conheço (e aqui tem o post da Malu, lindíssima, explicando melhor a participação de outras pessoas) mas focando-se na questão de Caitlin Moran que declarou que "não dá a mínima para isso" quando alguém perguntou se ela iria colocar a pauta de não haver representatividade negra na série Girls (ela estava se preparando para entrevistar Lena Dunham). Então.

Gente, sério.
Por favor.

Eu sei que o feminismo é um movimento plural. Eu compreendo que haja divisões dentro do movimento, que haja discordância de idéias e tudo o mais. Eu totalmente entendo isso. Eu entendo que a pauta das feministas americanas seja diferente da nossa, enquanto a nossa é diferente das feministas indianas. Eu entendo que as nossas prioridades podem mudar de acordo com o país que vivemos, porque tem todo um contexto, toda uma história especial por trás de cada movimento feminista nesse mundo. Não dá para lutar contra a misoginia no Brasil da mesma maneira que o fazem na Ucrânia. Contextos diferentes, feminismos diferentes. Eu entendo isso.

Mas eu me recuso a compreender e aceitar que uma feminista "não dê a mínima para questões raciais". Acho inaceitável.
Não me venham com a história triste de Caitlin usando calcinhas da mãe. Não me venham dizendo "mas ainda recomendarei o livro dela". Não me venham com essas merdas, por favor. Isso não é uma indireta, é apenas porque eu sei que Lola nunca lerá isso. Mas eu tenho certeza que milhares de outras feministas tem a mesma opinião que a de Lola. Porque eu senti um tom suavizador em cima das merdas de Caitlin e eu não tolero suavização. Porque eu sei que se fosse um homem a dizer isso ou mesmo uma mulher, digamos, republicana, sei perfeitamente que todas as feministas odiariam a pessoa forevermente. Que ela seria execrada para sempre como a "pessoa que não dá a mínima para a representatividade dos negros". Mas só porque Caitlin é uma feminista, então ela pode? Ela pode dizer essa merda e vocês passarem a mão na cabeça dela?

Vocês vão continuar recomendando o estúpido livro dela que fala claramente sobre mulheres não fizeram nada demais em toda a nossa história, demonstrando uma ignorância abissal. Sério mesmo? Estou desapontada.

O maior problema das pessoas, no geral, é nunca ver além do próprio umbigo. A galera feminista não deveria continuar perpetuando esse erro, tão típico e imbecil. Mas continua acontecendo. Porque há as feministas brancas, cissexuais, heterossexuais e classe-média e elas continuam propagando o feminismo delas, como se falasse pela voz de todas nós, como se todas nós nos enquadrássemos nessa forma e, cara, não enquadra. Não é um feminismo que pode dialogar comigo. Não é um feminismo que não pode dialogar com uma boa parte das mulheres, porque adivinha só? Elas não são todas brancas ou cis ou hetero ou classe média. E tentar suavizar a questão racial é de uma estupidez gritante. Oh, não me importo que você tenha dito "que foi errado, sim, e que ela merece as críticas". Estou pouco me lixando. O que eu digo é que alguém falou que não dá a mínima para a representação negra na TV (o que é a mesma coisa que dizer: tô pouco me fodendo pra como as negras se sentem) e as próprias feministas a defendem? É isso mesmo? Eu não quero o feminismo de vocês, então.

Se fodem aí no seu mundinho. É o que digo.

O meu feminismo fala com as mulheres negras, índigenas, asiáticas e de diversas outras etnias. O meu feminismo se importa sobre como as negras são vistas na TV, nos filmes, nos livros, nos jogos de videogame, na internet, na sociedade toda. O meu feminismo se importa que os jornalistas se recusem a aprender o nome de Quvenzhane Wallis apenas porque ela é uma criança de nove anos, negra com um nome obviamente não-americano. O meu feminismo se importa com o fato de que as mulheres negras são sexualizadas e tem uma herança de séculos pela escravidão. O meu feminismo se importa, sim, com a auto-estima delas. O meu feminismo se importa se elas são representadas em uma estúpida série de televisão. Esse é o meu feminismo. Eu não quero o feminismo de Caitlin Moran. Eu quero que ela se foda, e o livro dela também. Eu não quero ela dizendo que fala por todas as feministas, porque ela não fala. Eu não quero que a mídia a trate como uma porta-voz do nosso movimento, porque ela não é. Eu quero que ela se dane, assim como sua indiferença ao racismo. Eu não preciso dela, e tenho certeza que as moças negras e pardas também não precisam dela para se fazerem valer. Só porque a mídia dá tanto destaque para as feministas brancas-cis-bla bla bla, não quer dizer que a gente não exista.

Então, foda-se, Caitlin Moran. Você foi uma escrota. Não se atrevam a apoiar essa mulher e depois dizer que são contra o racismo. Eu não vou engolir. Não vou fingir que ela é legal, "apesar de ter sido babaca", porque eu tenho essa tendência a taxar as pessoas: você foi babaca? Nasça e tente de novo. Não vou abraçar ela e dizer sobre como eu quero ler um livro dela, quando eu detesto que o ~feminismo~ dela exclua tantas minorias. Não digam que mulheres como ela falam por mim. Não falam, simplesmente porque elas me excluem em seu patético universo classe média formado de mulheres feministas, brancas, heterossexuais que não fazem idéia de como é ser de outra minoria que não de mulher.

Eu fico muito, muito desapontada ao vê-las sendo defendidas, as declarações polêmicas sendo minimizadas, como se não fossem tão importante. Eu não gosto desse tipo de silenciamento. Então, eu, como uma garota que está muito no meio entre o "ser branca" e o "ser negra", preciso dizer que eu estou furiosa. Eu estou furiosa que feministas achem esse tipo de comportamento aceitável. Eu estou muito, muito brava porque há essas mulheres que estejam pouco se lixando para como eu me vejo na TV. E essas mulheres não são apenas qualquer umazinha que a mídia americana achou. Elas se dizem feministas. Elas se acham exemplos. Elas estão escrevendo livros sobre feminismo e todo mundo fica achando que elas estão falando por mim? É lógico que eu fico brava. Eu fico muito brava com esse tipo de atitude, porque eu sei que a mídia não vai dar atenção para a opinião de alguém que seja como eu. Eu sei que a mídia procura pelas feministas mais boazinhas e simpáticas, e não mulheres como eu. Eu sei que a mídia prefere ignorar solenemente qualquer reinvidicação das minorias, e procura o elemento mais palatável de cada luta e eu sei que Caitlin Moran parece ser uma.

Então, continuem com seu feminismo. Vocês podem dizer o que for. Digam que não se importam com as questões raciais. Vão além. Digam que só é mulher quem nasce com uma vagina. Ignorem as lésbicas. Finjam que bissexuais são pessoas em dúvida. Continuem indo. Façam seu feminismo limpo e bonito. Não é o meu. Eu não quero ignorar quem eu sou para fingir concordar com vocês. E eu não vou fingir que há minorias precisando urgentemente de atenção enquanto vocês dão entrevistas sobre como não usam salto alto. Eu não sou exatamente uma escritora influente, e sequer tenho dinheiro para ajudar as pessoas que gostaria de ajudar. O meu ativismo é de web mesmo, porque é tudo que posso fazer. Mas a internet me deu uma voz e é ela que uso para não permitir que vocês me anulem. Então é isso.

Não me façam olhar para vocês e me perguntar como vocês também são feministas. Só isso. Não me façam ter vergonha de pertencer ao mesmo movimento que vocês.

"Meu feminismo será interseccional ou será uma mentira" (fonte: fuckyeahsubversivekawaii)
[eu sei que não há "uma" na frase, coloquei por vontade própria pra frase ficar mais bonita]