segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Oscar da Semana ♥

Considerando desde o dia 18/02 até 25/02 (segunda à segunda), eu assisti dez filmes, o que é bastante coisa considerando que eu só via, no máximo, três ou quatro filmes por semana e olha lá. São eles os candidatos da semana (no caso, são todos que eu vi. Cada nome é um link para a ficha do filme no IMDb, pra você conferir as sinopses, entre outros dados técnicos):

Thelma e Louise (1991)
Como Esquecer (2010)
Lírios D'Água (2007)
A Mi Madre Le Gustan Las Mujeres (2002)
The Guest House (2012)
Queime Depois de Ler (2008)
Amour (2012)
Duas Mães para Zacharias (1996)
Better than Chocolate (1999)
West Side Story (1961)

obs.: a alta quantidade de filmes "lésbicos" se deve ao fato de eu ter entrado no Cine Lésbico e ter baixado vários de uma vez.

Então eu resolvi ~premiar~ de acordo com os meus critérios que são basicamente: gosto pessoal. Então aqui está a compilação e achei divertido, porque eu me dei o direito de criar categorias que eu total acho que deveria ter e tudo o mais. Enfim. Segue a relação <3

[ Melhor Filme ]
Critério: o filme que eu quero que todos vejam.

Fiquei na dúvida entre Thelma e Louise e West Side Story porque os dois são, tipo, muito bons e conquistaram meu coraçãozinho <3
Mas por mais que eu ame musicais, principalmente quando eles foram feitos trinta anos atrás e as pessoas atuam de um jeitinho todo dramático que só tem nos filmes dessa época, eu tenho que confessar: eu acabo escolhendo Thelma e Louise pela razão única e particular de que

ele é uma lição de vida em forma de filme.

Sério.
Eu não sei nem como falar sobre ele, mas só sei dizer que ele é muito inspiracional, com ótimas mensagens de amizade, força e bravura. É um filme bem feminista: ele poderia falar apenas de como, naquele exato momento, uma das protagonistas escapou de um estupro porque a amiga matou o cara para salvá-la. Poderia parar aí e não discutir mais nada. Acontece que elas sabem que elas não são sozinhas e em toda a história, elas acabam até mesmo lavando a nossa alma <3
É um daqueles filmes que você tem que ver com seus amiguinhos felizes e torcer junto com eles, mesmo.

Melhor filme da semana <3

[ Pior Filme ]
Critério: aquele filme que me fez sentir perdendo horas e horas da sua vida.

Lírios D'Água.
Não vejam, pfvr. Não percam seu tempo. Todos são chatos e antipáticos, o filme é lentíssimo e não tem nada realmente atraente.
(fonte: brand upon the brain)
 [ Melhor Atriz ]
Critério: a atriz que me convencer num papel difícil.

Emmanuelle Riva. Eu acho Jennifer Lawrence uma linda e super talentosa, de verdade. Fico com medo de pagarem tanto pau nela por agora e ela frustrar lá na frente devido à tanta expectativa, mas ela é realmente talentosa e ótima. Mas todo mundo que viu Amour sabe que o Oscar de Melhor Atriz deveria ter ido para Emmanuelle Riva. Qualquer um que viu Amour simplesmente não consegue pensar como, diabos, Emmanuella não ganhou um Oscar. Ela interpreta Anne, uma mulher que está envelhecendo e ficando doente. À medida que a doença vai progredindo, seu lado direito do corpo fica paralisado e ela não consegue nem mesmo falar direito.

Gente, o filme é bem lentinho e é todo francês (interpretem isso como qualidade ou defeito, como quiserem) e, cara, eu perdi metade dos diálogos e continuei entendendo o filme todo. Até a metáfora da pomba, se é que aquilo foi uma metáfora. Mas a EMMANUELLA, pqp, vocês deveriam ver. Sério. Só por ela.

(e, desculpa, já que Oscar tem critérios duvidosos, eu tenho os meus critérios de que
a) Jennifer tá cotada e super tem chance de outros Oscar's na vida dela e
b) Quvenzhane tem NOVE anos e pode ganhar muitos Oscar's na vida dela e
c) Emmanuella tem fucking 85 anos. OITENTA E CINCO. Ela tem oitenta e cinco anos e está nesse meio desde 1959. Cara, minha mãe não era nascida em 1959. Eu daria um Oscar de Melhor Atriz por motivos de ela ter estado realmente muito bem e porque, cara, todas as outras concorrentes ainda tem muitos anos pra viverem e muitas oportunidades, coisas que Emmanuella não vai ter simplesmente porque a bichinha já tá em idade bem mais avançada e viver é duro nesse mundo, todo mundo sabe.

Apenas uma opinião amadora, já que a dos Oscar é tão supostamente mais profissional que a minha)

personagem que guardarei com carinho pra posteridade. (fonte: love me like you do)
[ Melhor Ator ]
Critério: o ator que me convencer num papel difícil, mas eu o quebrei, escolhendo aquele que me fez divertir.

Se eu resolvesse ser uma pessoinha inspirada e cult, eu escolheria Jean-Louis Trintignant pelo papel em Amour. Mas felizmente eu não sou e escolherei o cara que me fez feliz nesses filmes: Brad Pitt, em Queime Depois de Ler, no papel de um cara que trabalha numa academia.

Não tem pra ninguém. Brad Pitt é o cara.
(e nem vou comentar mais nada do filme, porque vou ficar com raiva pelo modo como fodem com o cara e acabarei dando spoiler do filme.)

[ Pior Atriz / Pior Ator ]
Critério: aquela galera que parece estar fazendo trabalho para escola.

Todo mundo de The Guest House. Sem condições.
Só assistam se estiverem profundamente entediados e não tiverem, de verdade, outra coisa pra verem. Isso me leva à categoria de:

[ Pior Roteiro ]
Critério: diálogos entediantes.

The Guest House. Eu pulei o filme todo, pra cê ter uma noção, porque eu não aguentava as frases repetitivas, as atuações forçadas, bla bla bla.

[ Melhor Roteiro ]
Critério: frases épicas que usarei para toda minha vida.

Thelma e Louise <3
Pfvr. As frases mais épicas, o encadeamento dos eventos, os diálogos trocados <333

"Melhor tratar bem a sua esposa... o meu marido não me tratava bem e olha só o que aconteceu"

A Maggie é a ruiva e a bichinha não é muito conhecida, foi difícil achar uma foto assim (fonte: tumblr)

[ Personagem Mais Fofo ]
Critério: baseado apenas na quantidade de vezes que fiquei "AWNNNNNNN <3" para o/a/x personagem.

Maggie, de Better than Chocolate. Ela parece uma Merida (Valente) contemporânea e lésbica. O que significa que ela é realmente muito, muito fofa. <3

[ Personagem Mais Entediante ]
Critério: baseado apenas na quantidade de vezes que quis que o/a/x personagem morresse. O pior é que eles nunca morrem.

Marie, de Lírios D'Água. Não rola nenhum pingo de carisma, simpatia, amorzinho ou mesmo pena da moça. Ela é insuportavelmente sem nenhuma energia ou amor-próprio, e ainda por cima destrata quem faz o favor de lhe suportar diariamente.

[ Personagem Mais Cretino ]
Critério: personagem que odiei do fundo do meu coração.

Nancy, a mãe da protagonista em Duas Mães para Zacharias. Não tem como não odiar uma mulher que acha ok ir na justiça contra a própria filha, para tirar o neto dela das mãos da mãe, só porque a filha se revelou lésbica. Ela é imbecil e cretina e eu estou indignada com a idéia de que ela realmente existe, porque o filme foi baseado em fatos reais.

[ Filme Mais Animador ]
Critério: aquele filme que você quer ver em um dia feliz e pensar em coisas felizes e muito amor <3

Better than Chocolate. É colorido, cheio de vida, o andamento é dinâmico e você não fica muito depressivo com ele, por mais que a história tenha pontos mais pesados como a violência contra Judy, uma mulher que é trans.

o filme é mais melancólico. jogue "como esquecer" no tumblr pra ver. (tumblr: overdosedeamor)


[ Filme Mais Depressivo ]
Critério: aquele filme que você quer ver para tomar coragem e tomar seus comprimidos até morrer.

Como Esquecer. Mantenha-se longe de qualquer coisa afiada ou potencialmente perigosa, porque os monólogos da Ana Paula Arósio farão você ter vontade de sumir em uma névoa bem poética e não existir nunca mais. O que salvava esse filme era o:

[ Melhor Personagem Coadjuvante ]
Critério: aquele personagem que sambou na cara do protagonista e roubou o filme só pra ele.

Murilo Rosa, pelo papel de Hugo em Como Esquecer, simplesmente pelo feito admirável e belíssimo de dar uma equilibrada em Como Esquecer e impedir tanto que Ana Paula Arósio se afunde de vez, bem como seus espectadores de se matarem tamanha a melancolia.

auto-estima super <3 (fonte: there's always something)

[ Melhor Trilha Sonora ]
Critério: aquelas músicas que eu busquei no Google pra ouvir de novo.

Como não citei até agora... West Side Story porque é um musical. Só por isso. E eu gostei da maioria das músicas, até mesmo do casal principal, o que é engraçado porque tendo a gostar menos das músicas românticas. Mas eu realmente gostei, e todo o som, com tudo coreografadinho bonitinho... é muito amor :3

(Eu também daria o prêmio de "Você Nem Sente a Hora Passando" porque são duas horas e meia de filme e você ainda que foi pouco? Mas achei que seria forçar demais)

[ Melhor Casal ]
Critério: escolher o casal cujas pessoas tem a química mais legal, não necessariamente a melhor história de amor.

Maggie e Kim, de Better than Chocolate. Elas tem uma química super fofa entre elas, e interagem muito bem em cena.

(não vou escolher o casal de Amour, plmdds. Quem viu até o final e teve seu coraçãozinho em pedaços, concordará comigo)

[ Melhor Romance ]
Critério: tentar escolher o melhor romancezinho <3

Maria e Tony, de West Side Story. Um emocionante Romeu e Julieta, cantado nas ruas americanas, entre gangues porto-riquenhas e americanas. Tudo bem que todos parecem apenas muito bronzeados e os americanos entupiram seus cabelos de água oxigenada, mas o negócio é que o diálogo de Tony e Maria que antecede a música One Hand, One Heart é, tipo, muito fofo. Isso já dá à eles o prêmio de o casal pelo qual mais torcemos <3

(lembrando que dos dez filmes, apenas "Queime Depois de Ler" e "Thelma e Louise" não tem exatamente um casal para qual você esperar logo que fiquem juntos e tudo o mais)

[ Melhor Cena "Quente" ]
Critério: pode ser cena de sexo ou não, apenas precisa ser quente e fazer você sentir que as pessoas se amam demais ok

A cena no qual Maggie e Kim pintam uma no corpo nu da outra. É amorzinho demais <3333

[ Pior Cena "Quente" ]
Critério: aquela cena que faz você brochar muito.

Marie masturbando Floriane. É péssima. Não tem como algo ser mais sem-graça e entediante do que aquilo. Minha mãe perguntaria o que aconteceu com a fama dos franceses serem amantes sensuais, porque esse filme todo é justamente o contrário.

E é isso. Acho que tá bom. E se querem saber minha opinião, essa lista foi feita com minha opinião pessoal e eu acho isso um critério muito honesto e lógico, muito melhor do que os critérios obscuros e confusos que o Oscar usa. Apenax.
a galera de Mi Madre Le Gustan Las Mujeres que nem foi mencionado, tadinhas 
Resumo da ópera:

• Thelma e Louise: VEJA. Por favor, VEJA.
• Como Esquecer: veja se você não se incomodar em querer morrer de vez em quando. Ou achar poético sofrer de amor.
• Lírios D'Água: NÃO VEJA. Nunca.
• A Mi Madre Le Gustan Las Mujeres: nem comentei do pobrezinho, mas veja sim. É bem amorzinho e divertido <3
• The Guest House: se você estiver entediada... se você quiser ver duas atrizes ruins se pegando... veja não, tanta coisa melhor.
• Queime Depois de Ler: por favor, veja e venha depois xingar comigo algumas coisas.
• Amour: se você gosta de filme francês, vá em frente, cara. Mas não te acompanho junto.
• Duas Mães para Zacharias: aquele filme feeling anos 90 de pessoas indo na justiça, baseadíssimo em fatos reais, obviamente. Veja só pra ficar puta da vida com a situação toda.
• Better than Chocolate: se você é uma mulher e acha que Queer as Folk tem caras ~demais~ e prefere coisas com uma visão mais feminina, esse filme é ideal.
• West Side Story: VEJA. PFVR. Mas se você odeia musicais, não veja e cale a boca.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

10 tipos de pessoas com as quais sou preconceituosa.

Hi! <3
Sabe, pessoas presumem que eu sou isenta de preconceitos por ser uma feminista. O negócio é que todo mundo se acha livre de preconceitos, porque não odeia negros ou gays, ou qualquer coisa do gênero. Mas o preconceito é algo que está na nossa humanidade e por mais que não sejamos preconceituosos com uma determinada classe de pessoas, sempre somos com outro tipo de pessoas. Não é nem questão de "ser natural, não adianta lutar contra isso". É questão de que existe e não dá para ser hipócrita, então o melhor a fazer é reconhecer que eles existem e fazer o possível para que eles não atrapalhem sua vida.

Bem, é o que pretendo fazer agora. Enumerar as classes de pessoas com as quais eu tenho algum tipo de preconceito, sendo mais honesta possível comigo mesma e com vocês.

#1. "Eu escolhi esperar" / "Princesa do Senhor" / variantes

Eu tenho um e n o r m e problema com religião, principalmente as grandes religiões monoteístas e, de todas, a cristã é a que mais me irrita, porque eu vivo em uma sociedade cristã e direitos básicos me são negados por causa dessa merda de bancada cristã que domina o Planalto. Eu acho um absurdo que a cada caso polêmico que aconteça nesse país, alguém pergunte a opinião do bispo como se a opinião dele valesse cinco centavos. Me sinto violada de muitas formas ao ver o cristianismo no poder no nosso mundo. Então eu realmente tenho um preconceito enorme com essas pessoas que compartilham imagens de tiaras cintilantes como "Sou uma princesa do Senhor" e pregando a abstinência sexual como algo sublime que faz delas pessoas superiores. Eu odeio essas postagens, então eu bloqueio todas as pessoas que postam algo do gênero, por mais que eu saiba que essas pessoas são legais e tudo o mais.

Além do mais, eu (pessoalmente, só euzinha, opiniãozinha insignificante e particular) considero que uma pessoa que fique postando sobre como ela escolheu esperar (com direitos a colocar isso no Twitter nas TTs do dia, com todo o orgulho do mundo) está mais querendo chamar atenção do que qualquer outra coisa. Sabe, ninguém quer saber se você resolveu não transar porque tá esperando o casamento. Ninguém quer ver seus argumentos grandiosos sobre a beleza da castidade, ninguém quer ver a sua camiseta de "castidade é possível", ninguém tem interesse em ver o quão santa e pura você é. Então se você é assim e é um dos meus contatos no facebook, saiba que, sim, eu te bloqueei na sua primeira postagem do gênero e não te desbloquearei. 

fonte: uma das páginas de Princesa do Senhor que existem aos montes
#2. Pessoas que consideram que Crepúsculo é um ótimo livro (tecnicamente falando)

Vale o mesmo para 50 Tons de Cinza.
É um dos meus preconceitos que era bem mais forte quando eu tinha uns 15/16 anos. Hoje eu consigo olhar para trás e rir do quanto eu queria tanto que Crepúsculo se explodisse. Eu entendo totalmente a fama que a série teve. Assim como eu entendo que 50 Tons de Cinza tenha feito tanto sucesso. Vocês se surpreendem tanto, porque é algo como "cara, isso é muito ruim, como fez tanto sucesso", mas vocês sempre se esquecem de que não é a qualidade que faz algo ganhar fama, mas elementos específicos que atingem o público-alvo em cheio. Eu acho compreensível que garotas tenham se derramado e desejado ardorosamente um Edward Cullen, assim como eu entendo que tanta mulher queira um Christian Grey para chamar de seu. E eu acho interessante observar como o fato de tanta gente amar esses livros, ignorando diversos pontos do machismo, stalkerismo doentio, obsessão e uma espécie de amor que é mais patologia do que qualquer outra coisa diz muita coisa sobre a sociedade em que vivemos.

Eu não tenho um preconceito nenhum em pessoas ~gostarem~ de Crepúsculo. Não acho que deveríamos ser privados de gostar de algo, só porque esse algo não é exatamente uma obra-prima. Mas eu tenho um problema com essa galera que vem tentar provar por a + b que Crepúsculo é um ~excelente~ romance do ponto de vista literário, porque é mais do que amor pela série (que todos tem direito a ter), mas cegueira mesmo porque ignora diversas falhas da série. E é esse o maior problema. As pessoas assumem que se você gosta, então a coisa se torna automaticamente boa, mas isso não é verdade. Você gostar ou não é só isso: gostar ou não. E embora uma coisa ser boa ou não seja algo bem polêmico que varia muito de acordo com o ângulo, dá para analisar bastante coisa. O negócio é desligar o emocional e ser mais crítico de vez em quando.

Mas tá liberado gostar. Não que eu tenha esse direito/poder de liberar algo ou não.

impressionada pela coragem da moça, viu. fonte: esse blog aqui

#3. Orgulho Hetero / feeling foto de mulher pelada no celular / "sou macho"

Tenho mais que preconceito, tenho nojinho.
Uma galera que se preocupa em ficar marombadinha, ~catar~ mulheres, bla bla bla. Boa parte dos caras heterossexuais são exatamente dessa maneira e eu procuro ficar longe desse povo. E mesmo que não sejam exatamente caras jovens que querem transar com muitas mulheres, muitos homens são desse tipo. Eles dão um valor absurdo aos seus pênis, como se fossem os remédios de todos os males, como a ~falta de sexo das feministas~ e eu, sinceramente, só queria que eles morressem sufocados com o próprio sêmen de tanto se masturbarem com suas Playboys. Eu sei, é nojento, mas pessoas nojentas merecem mortes nojentas.

Se você curte o blog do Testoterona, Orgulho Hetero, Hipocrisia Feminista, Real ou qualquer merda desse gênero, seja homem ou mulher (suponho que pessoas fora do âmbito binário na divisão de gêneros se neguem a seguir essas pessoas), você está colaborando para que esses caras se multipliquem por mil e por mil novamente. Não perpetue. Não ajude. Não incentive que portais que agrupam esse tipinho continuem existindo. De todos os grupos até agora citados, é um que eu gostaria de observar a extinção absoluta. 

fonte: uma página nojenta no facebook que não linkarei para n estragar o dia de vcs

#4. Fanbase da Britney Spears

(esse post foi feito com trilha sonora de Britney Spears lol)

Britney Spears é legal, MAS a sua fanbase não. Não existe outra fanbase mais chata, insuportável, hipócrita e cega do que a de Britney Spears. Normalmente, as pessoas consideram que fanbase de Lady Gaga é um negócio muito louco, mas eu considero que boa parte dos fãs de Gaga tem, tipo, 13 anos e está se sentindo acolhido pela Mamãe Monstro (lol) para ser estranho e bizarro o quanto quiser. No geral, acho uma galera normal, com um gosto peculiar para o vestuário. E é fácil pôr-la no lugar, quando aparece um ser bizarro dizendo que Madonna é velha e caquética. Ninguém dá moral não, gente.

(nem me venham com o papo de Kelly Osbourne porque todo mundo sabe que ela é uma idiota. Não consigo me compadecer dos milhares de fãs a xingando diariamente, porque tô pouco me lixando pra ela)

Mas a fanbase de Britney é... maluca. De todos meus anos no meio das briguinhas e picuinhas entre fanbases do pop americano, eu só conheci uma ~única~ pessoa que era fã de Britney e era absolutamente normal, sensata e racional (e ela era fã de Christina Aguilera e Lindsay Lohan também, ou seja, fazia parte de ~três~ fanbases, duas em pé de guerra) e nem sei como ela anda hoje. Mas a bichinha sofria nos fóruns da vida, porque todos a consideravam "multifã" e, por isso, menos fã de Britney que deveria ser a única a morar no coração de todos.

Fanbase costuma ser, por característica padrão, cega. É normal. Todas as fanbases do mundo vão minimizar as falhas dos seus objetos de adoração, e intensificar as qualidades e sempre, SEMPRE vão querer sambar nas outras. Mas a fanbase de Britney consegue ser cega em coisas que ninguém consegue (o caso do playback, por exemplo), e consegue ser extremamente dois pesos e duas medidas. Coisas que valem para Britney não valem para outros artistas. Por exemplo, cansei de ver um britfan considerando Christina extremamente vulgar e apelativa, enquanto Britney era "sexy sem ser vulgar". Fora o machismo gritante da afirmação, é engraçado constatar que mesmo pelos critérios daquele britfan, a afirmação era uma mentira (se você for olhar toda a carreira de Britney, vai sacar que ela sempre foi a "princesinha sexy da América". Se você for olhar para a carreira de Christina, sempre vão falar primeiro da voz dela, e depois do resto). Mas eles simplesmente não enxergam coisas óbvias. Eu cansei muito disso, então me retirei dos fóruns específicos sobre Britney Spears e minha sanidade voltou ao normal. Os fãs dela continuam lá, se aglomerando e xingando qualquer um que ache que Scream & Shout de recalcado. É assim que eles são.

Não espere bom senso deles.

PFVR
#5. "Sou um floco de neve especial luminescente no meio de tantos flocos de neve cinzentos e tristes e manipulados!"

Saca essas menininhas que compartilham aquelas imagens de várias garotas que estão se maquiando e há UMA no meio de todas elas lendo um livro? Tem uma que mostra várias garotas e todas com "BITCH" na testa, exceto por UMA que está lendo. Tão nobre! Tão especial! Um floco de neve luminoso entre garotas perdidas e desvairadas se não fosse...
... todas elas postam a mesma coisa. Todas elas se consideram especiais e únicas. As únicas que não são vadias. As únicas que não ligam para maquiagem e cabelo (mas eu sei que vocês estão de olho nas dicas do blog Garotas Estúpidas). As únicas que, oh meldelz, gostam de LER! Vocês querem uma medalha dourada por isso?

Eu queria falar que é questão de idade, porque acho que todo mundo de treze anos tem direito de ser babaca. Mas não é, porque vejo meninas da minha idade ou até mais velha se achando floquinhos de neve únicos. Diferentes das ~piriguetes~. Bleh, vocês são todas iguais. Tenho um preconceito enorme porque junto com essa sensação de "sou diferente e sofro por ser diferente", vem um insuportável senso falso de superioridade no qual elas começam a achar que são de uma espécie evoluída espiritualmente que tem todo o direito de julgarem outras garotas, exercendo o conhecidíssimo slut-shaming e serem apenas pessoas babacas e nojentas mesmo. Aí só dá merda. 

fonte: Preconceitos do Dia a Dia


#6. "OS VALORES SE DETURPARAM MIMIMIMI HJ NÃO TEM MAIS ÉTICA NEM RESPEITO A SI MESMA"

E qualquer outra frase do gênero.
Minha vontade é de: pegar um livro de história bem grande (talvez um Crônicas da Vida Privada. Mas qualquer um tá valendo) e tacar com toda a força na frente da pessoa, mandando-a estudar história desde os primórdios da humanidade. E desafiá-la a achar QUALQUER período histórico em que nós víviamos em um lindo mundo cor-de-rosa, com unicórnios saltitantes, e aprendíamos a amar e respeitar e valorizar nossos pais apenas porque eles mereciam ser valorizados, não porque eles iriam nos bater com o cinto.

Quando alguém achar um período que a nossa história foi assim, eu quero ser informada. Aí vou dar moral pra essa galera chata, saudosista de uma época que nem viveu. Até lá, vou apenas olhar para essa galera e lembrar que a única vantagem era de que nas décadas passadas, eu não teria internet para ficar lendo as lamuriaçóes dessa galera que estaria infeliz do mesmo jeito. Mas não ter internet é uma desvantagem enorme, acho chato.

(filme ótimo que vi sobre essa coisa de supervalorização de um tempo passado é o Meia-Noite em Paris, de Woody Allen. Para vocês aprenderem que todas as épocas tem coisas especiais e coisas ruins que devemos sempre melhor!)

fonte: essas páginas do facebook de "Princesa do Senhor"


#7. "Conheci Paris, adoro dar uma passada em Milão e ver os desfiles, aaaamo fazer compras em NY"

A pessoa consegue meter todos os lugares que já viajou em um parágrafo quando sequer foi perguntada a respeito. A pessoa adora falar de Chanel e Dior, usa termos estranhos para comidas (quando ela ~sempre~ troca o substantivo pelo nome/marca, suspeite) e reclama da empregada que ficou doente e faltou... eu já sei que eu devo ficar longe da pessoa. Eu tenho problema com uma galera elitista que se considera superior por causa das roupas que veste, festas que vai, chocolates/quejos/vinhos que consome, restaurantes que visita, lugares que viaja, escolas que frequentou e bla bla bla.

Até porque a sensação de superioridade vem acoplado à ~grana~ e eu tenho um problema com essa galera que se vê num patamar acima dos outros por causa da grana, porque sempre vem um pacote inteiro de uma ideologia bem imbecil, plagiada da revista Veja e propagada aos quatro cantos que contém itens como "por um país mais cristão!", "vamos abolir o funk! esse barulho da favela!" e "o mundo pertence aos espertos! não dê o peixe pro cara, ensine o cara a pescar!". Geralmente vem junto uma supervalorização dos EUA que eu considero esquisitíssimo, porque eu acho o país muito esquisito, ou da Europa (nunca é um país específico, sempre é "amo a Europa") em detrimento do próprio país.

É uma galera que é um combo de diversos preconceitos que eu acho bem nojentinhos, então prefiro ficar longe dessa galera porque sei que não vai agregar nada na minha vida.

#8. "Unidos do Rock" / "o rock é o que salva o mundo" / "o rock é o único gênero decente"

Pff.
Eu tenho pena de gente assim, que vê o mundo da música como um imenso ringue. Que acha que determinados gêneros musicais são obviamente superiores aos outros, e que você escutar Pink Floyd faz de você uma pessoa iluminada e linda e maravilhosa. Quer um troféu, amigo? Eu dou chocolates também, se quiser. Eu acho engraçado como essas pessoas se preocupam tanto em afirmarem para o mundo inteiro que ~gostam~ de rock e sobre a superioridade inquestionável de Metallica e The Beatles, e adoram chamar qualquer coisa fora do ~rock~ de lixo.

Eu não tenho muita paciência com esse tipo de coisa, porque eu tenho um gosto musical bem variado, então tenho muito contato com diversas fanbases e as briguinhas entre uma e outra. As pessoas parecem achar difícil sair da própria zona de conforto, o que é algo que nunca compreendi. Nunca achei que ouvir Katy Perry fosse incompatível com ouvir Mozart, por exemplo. E eu acho que quanto mais as pessoas ouvirem de tudo e terem contato com músicas diferentes, mais saudável é para nós. E eu entendo que uma pessoa não queira sair do rock por ela se identificar apenas com ele, mas eu não tolero quando uma pessoa vem se achar superior por causa disso. Acho arrogante e extremamente grosseiro.

fonte: Preconceitos do Dia a Dia
#9. Gente intrometida e mal-educada.

Duas ou três semanas após meu namoro chegar ao fim, minha tia me apresentou a uma mulher que até hoje não sei o nome dela. Ela me apresentou como a "a que terminou o namoro" (para diferenciar eu da minha irmã, que está com o namoro). Me senti mega estranha, porque eu podia ter sido apresentada de muitas formas (Luna, a que gosta de desenhar, Luna, a que fica no pc, Luna, a que tá fazendo o IFBA, Luna, a mais nova, enfim). Mas fiquei de boa. Permito à mulher usar o meu computador para verificar os e-mails e então ela me pergunta porque meu namoro acabou e porque eu não ia voltar com meu ex.

A minha ex-colega de trabalho, ano passado, fez a mesma coisa: se sentiu extremamente ofendida quando eu disse à ela que o namoro acabou e me mandou voltar. Por algum motivo, o término do namoro fez com que aflorasse um lado que eu detestava nas pessoas: elas sentiam que podiam dar palpite na minha vida pessoal, sem nem me conhecerem. Nunca dei intimidade, nunca sequer conversei com elas sobre temas mais profundos que um "oi" e "tchau" e, no entanto, elas se sentem no direito de darem opinião sobre o que eu deveria fazer com a minha vida. Não é basta intromissão, é falta de educação.

E as pessoas fazem isso o tempo todo, especialmente com minorias sociais. Quando uma pessoa pergunta à um homem transexual se ele tem um pênis ou uma vagina, ele está sendo extremamente grosseiro. Quando um anon misterioso envia asks para uma garota como ela transa com mulheres e se ela é lésbica porque ela nunca achou um cara que "fizesse direito", ele está sendo invasivo e pedante. Quando uma pessoa chega para mim e dá uma opinião absolutamente irrelevante que não foi pedida sobre a minha vida, eu quero chutá-la tão forte que ela aterrisaria na China. Não sejam assim.

#10. Gente que leva a Veja a sério.

Sem comentários.
A Veja é uma piada. Logo, gente que leva Veja a sério, como uma revista séria e cheia de credibilidade, é também uma piada. 

MAS A VEJA É UMA REVISTA SUPER SÉRIA!!!!
tá bom, tá bom, continue falando
→ E são só dez. Pensando, achei mais uns dez e eu nem falei de como tenho uma antipatia enorme dessa galera que fica toda na vibe de "sou nerd, assisto The Big Bang Theory", pfvr.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Valentine's Day: 5 vídeos sobre o amor que eu amo

Hi, pessoas lindas! Como foram de Carnaval? Espero que bem <3
Hoje é o Valentine's Day, como vocês devem saber. É basicamente o Dia dos Namorados no mundo todo, tirando o nosso que é 12 de junho, por conta do Santo Antônio. É uma data que eu acho super fofinha, primeiro porque
a) eu adoro datas comemorativas e
b) você não precisa ser uma pessoa romântica para gostar de coisas românticas.

Eu não sou exatamente aquela pessoa que se lembra de datas especiais ou que curte receber flores, mas eu gosto muito de toda a produção de material (filmes, livros, videoclipes, etc.) que envolvem basicamente o amor e suas nuances. E, particularmente, eu acho muito bonitinho ver videoclipes sobre pessoas que estão se descobrindo apaixonadas ou então aquelas músicas que são como promessas e confidências. Então eu quis montar uma lista de videoclipes que eu acho que vocês deveriam ver. ?

Obs.: clique nas imagens que elas redirecionam para o vídeo no Youtube (=^o^=)


Save Me From Myself [Christina Aguilera] - 2008

Para começar, mais da metade do álbum de Back to Basics é todo de juras, confidências e canções de amor. Christina estava louca apaixonada nessa época e Jordan era, tipo, o cara. Eu meio que acho que ele é o cara dela até hoje, mas certeza que é só culpa da minha antipatia gratuita com Matt. Pobre Matt. De qualquer maneira, esse vídeo é realmente especial, principalmente para os fãs. Christina disponibilizou o vídeo junto com o anúncio do nascimento de Max, e a música não teve divulgação. Quer dizer, foi um presente para os fãs para celebrar um momento realmente feliz. O vídeo tem cenas exclusivíssimas do casamento de Christina, e takes dela cantando com Linda Perry no violão. E se você receia ver o vídeo por conta dos gritos conhecidíssimos de Christina, não se preocupe: essa música tem toda uma vibe super intimista e não tem nenhunzinho grito. É sussurrada, calma, super relax. Dedique essa música caso você seja uma pessoa durona para se amar e a pessoa conseguiu atravessar suas barreiras <3


She is a flirt [Baby Soul + Yoo Jia] - 2012

Esse eu conheci faz menos de 24 horas e é super fofo. Eu não conheço as cantoras envolvidas, mas pretendo pesquisar mais a respeito. Não rola beijo nem nada, mas a menos que você seja muito tapada, vai perceber que é sobre o relacionamento de duas amigas que já não se vêem mais tanto como ~~amigas~~. Eu precisei colocar ele na lista não apenas porque o videoclipe é todo fofo e eu realmente quis o cabelo de uma delas, mas porque é realmente difícil você encontrar coisas voltadas para o público LGBT. Você tem que se contentar com insinuações e sugestões no ar (que é o caso desse vídeo), porque raramente há uma história de amor entre gays ou lésbicas (ou trans*, lembrando de abranger toda a sigla) realmente séria. Lésbicas, principalmente, tendem a serem fetichizadas e aparecerem apenas em um contexto erótico, então eu acho muito benéfico que tenha cada vez mais videoclipes abordando outros tipos de orientações da mesma maneira que abordam relacionamentos heteros, fora do campo do fetiche. Sem contar que as meninas são uma graça <33



Just Give Me a Reason [P!nk] - 2013

Esse é super recente e eu só coloquei ele aqui porque eu queria colocar algo da P!nk. Ela, ao meu ver, é uma das melhores cantoras da atualidade, especialmente em termos visuais. Os vídeos, as performances, tudo dela é muito bem produzido e dá gosto de ver. Mas ela fala de amor de uma forma bem crua que afeta um pouco a vibe de pureza e inocência que eu procuro colocar nessa listinha amigável, lol, então escolhi esse vídeo porque ele não é sobre um amor que acabou ou sobre como amar é incrivelmente mais difícil do que parece. É sobre o relacionamento de duas pessoas que está em uma fase difícil, mas que isso não quer dizer o fim. "We're not broken just bent / And we can learn to love again" é a parte principal dessa música. O vídeo é lindo, com tomadas debaixo d'água, e P!nk é realmente boa em expressar opiniões. Ela está cantando com Nate Ruess, mas o homem que está com ela na cama é o Carey Hart que é marido dela desde 2006 (e, inclusive, ele já participou de outros vídeos dela sobre ele, inclusive quando estiveram um período separado).



Pra Sonhar [Marcelo Jeneci] - 2012 (acho)

Um nacional para fazer brilhar a lista ♥
Esse vídeo é feito com imagens pessoais de casamentos enviados por pessoas comuns e anônimas. É muito bonitinho, de verdade, ver todas essas pessoas realmente emocionadas por realizarem um ritual que é importante para elas. Eu entendo que muitas pessoas depreciem o casamento como uma instituição, porque é cercada de hipocrisias e, de fato, a nossa sociedade adora ver o casamento como algo tão importante na vida de uma pessoa que ela só será feliz se ela for casada, especialmente se for uma mulher. Mas esse é o tipo de vídeo que nos faz lembrar o que é realmente um casamento: a celebração da união de pessoas que se amam diante de outras pessoas queridas e nada mais. No fim, isso que deveria ser um casamento desde sempre - não uma aliança comercial ou por status, mas uma verdadeira união.



Please don't [K.Will] - 2012

Esse é todo triste. Feito para vocês que estão sofrendo um amor não-correspondido. Assistam, se emocionem com o carinha e chorem juntos. Tá todo mundo no mesmo barco!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

pimenta nos olhos dos outros é refresco.



Sobre esse comercial da Gillette de #QueroVerRaspar, eu tenho alguns comentários a tecer. São eles:

a) O comercial é cafona. Sério. Ele é breguíssimo, e estou profundamente constrangida por todos os envolvidos na produção desse comercial.
b) Ele é clichê do clichê. É a mesma parada eterna de procurar parceiros para o ritual do acasalamento, aquela coisa de mulheres atrás de homens e homens atrás de mulheres. Super heteronormativo, mas o que você espera das propagandas brasileiras?
c) O comercial, nem de longe, é feminista como afirmaram uns caras revoltados. Com licença, estamos aqui lutando para destruir a cultura de estupro e conscientizar pessoas sobre a violência doméstica. Não temos tempo de produzir comerciais que mandam homens para rasparem seus pelos.
d) Diversos homens afirmam estarem ofendidos com a insinuação (insinuação não, que o negócio é bem direto mesmo) de que eles seriam pessoas nojentas e porquinhas caso não se depilem. Eu total compreendo. Mas bora tecer uma análise melhor desse ponto? Que é basicamente uma conclusão muito simples:
e) Mulheres são consideradas nojentas e com falta de higiene se elas não se depilam. Isso é o nosso universo. Seja bem-vindo, guys!

O negócio é que depilação é um tema muito problemático. Então vamos manter em mente um conceito muito simples:

• Não leve para o lado pessoal. Não estou aqui falando de VOCÊ se depilar. Estou aqui falando de uma SOCIEDADE inteira que promove, incentiva e perpetua um padrão há vários anos. Então tira o olho do seu umbigo e olhe para o seu redor. Pronto, recado dado •

O fato número um é que: pelos não são nojentos. Não sei como, diabos, começou essa história. Eu só sei que ela não é muito antiga, porque na década de 80, Claudia Ohana fez um editorial sensual com a parte íntima peluda e ninguém achou que era um problema. Quer dizer, alguns de vocês nasceram na década 80, cara. Não é tão antigo assim. Então essa história de que aprendemos que depilação é, tipo, o negócio que divide a gente entre o estado civilizado e selvagem é recente. Você não é uma pessoa suja porque tem pelos. Todo mundo tem pelos e eles foram muito importantes para gente, com toda a evolução da raça humana e tudo o mais. Vocês ficam aí "hahaha qual é a finalidade dos pelos no corpo?", e eu vou te mandar estudar biologia. Sério. Já me falaram que sobrancelhas é um negócio meio inútil, e eu só lamento por vocês que acreditam mesmo nisso.

O negócio é que a gente vive em uma sociedade que considera que pelos são algo nojento... em mulheres. Se vocês estão todos "ah, Luna, não é bem assim", não tem problema. Apenas dê uma olhada nessa matéria, por exemplo. Não é o suficiente? Aqui e aqui também tem compilações de famosas (apenas mulheres, obviamente) que opa, não estão com a depilação em dia. São matérias uma copiada da outra, com comentários jocosos diversos. Se você jogar "mulheres que não se depilam" no Google vai encontrar páginas listando celebridades, reforçando a importância da depilação como se fosse algo importante para a elevação espiritual e notícias variadas sobre Emer O'Toole que decidiu parar de se depilar e virou notícia. Não se depilar é visto como algo anormal, bizarro e nojento. Além disso, as pessoas costumam ver mulheres que não se depilam como pessoas não-higiênicas.

Então desde que os pelos começam a surgir, você se habitua a extirpar a existência deles. Eu não lembro de nenhuma época que eu não me raspasse. Diversas amigas já deixaram de ir para piscina ou para o mar porque não estavam com a depilação em dia, ou ficavam muito paranóicas, perguntando-se se dava para ver as pernas ou algo do gênero. Eu nunca utilizo regatas se minhas axilas não estão devidamente raspadas. Eu, assim como as mulheres ao meu redor, absorvi a noção de que eu PRECISO fazer isso, para me sentir limpa e higiênica. É o tipo de conceito muito difícil de se livrar, ainda mais quando você está sempre abrindo os vídeos do Youtube e lá está a Fernanda Vasconcellos falando sobre nunca mais precisar deixar de usar saias por causa das pernas peludas e a solução para isso não é viver de bem com seus pelos, mas sim adqurir a nova lâmina Veet, totalmente não agressiva. E em cores variadas!

O negócio, gente, é que isso não é normal.

Os caras estão revoltados porque a idéia proposta no comercial soa muito anormal para eles. Mas para gente é. E como foi que a gente deixou chegar a esse ponto. Por favor, não me digam que é normal você ir em um salão e depilar a sua virilha e vulva toda, deixando-a totalmente exposta à irritações e inflamações. Não me diga que é normal, ainda por cima, usar cera quente e passar por uma dor dos infernos. Não me diga que é normal mostrar a bunda pra depiladora para ela arrancar uns fiapos de pelo que tem aí. Não me diga que é normal deixar de ir na piscina e vestir uma saia porque a depilação não está em dia. Porque não é. Isso simplesmente não é ~normal~. É um conceito que construímos em todos esses anos, e é um conceito que pode muito bem ser descontruído.

Eu não estou nem aí se você faz isso por "gosto". Todo mundo faz coisas por "gosto". O negócio é tentar analisar esses seus gostos e ver o quanto disso é realmente seu ou é apenas um produto da sociedade. Ou você acha mesmo que é uma coincidência incrível que a maioria esmagadora das pessoas ache "naturalmente" pessoas brancas mais bonitas que as pessoas negras? Se você martela na mídia inteira, reforçando o quanto mulheres depiladas são muito mais bonitas e sensuais, e mostrando as mulheres não depiladas em notícias como essas, com frases de zombaria, o que você acha que acontece? Obviamente nós teremos uma sociedade inteira voltada para a exterminação da pelagem humana. Bem, nós só podemos concluir que estamos em uma sociedade doente.

1) Ter pelos não é algo anormal. Muito pelo contrário: é totalmente natural e tranquilo.
2) Não querer se depilar é ok.
3) Querer se depilar é ok também. Só não sacrifique sua saúde, deixando sua vulva exposta, por exemplo. Isso realmente não é muito legal.
4) Não é legal julgar as pessoas porque elas adotaram um estilo diferente do nosso.
5) Nenhum corpo pode ser considerado nojento. Nenhum.

E, por último:

6) Caras, vocês não fazem idéia de como é ser uma garota no nosso mundo. Nós vivemos em uma sociedade extremamente machista e nós sofremos uma série de pressões que vocês não fazem idéia. Vocês assistem aquelas comédias românticas e riem e tudo o mais, mas esse universo é tão distante de vocês. Vocês não compreendem o quanto todos nós somos programados à uma série de coisas, e sobre como essa pressão nos afeta. Existe uma pressão em cima de vocês. Para agirem como homens, não como mulheres, porque ser mulher não é algo bom. Nós somos o lado negativo o tempo todo. Não corra nem grite como uma mulherzinha. Não aja como uma mulherzinha. Se você se der mal, vai virar uma mocinha na prisão - são essas coisas que dizem para você. São coisas que insistem em remover a masculinidade de vocês, lembrando o quão ruim é vocês agirem e/ou serem tratados como 'mulherzinhas' - que é o que nós somos.

Eu entendo que vocês estejam absolutamente indignados com essa estúpida propaganda da Gillette. Mas eu acho que seria melhor vocês entenderem que é basicamente o que nós ouvimos, há vários anos. É o que nós vivenciamos. Não fiquem aí fazendo todo um drama, batendo os pés, indignados. Apenas parem e pensem sobre como é absolutamente injusto que nós temos essa pressão, antes de vocês. Sobre como vocês podem bater os pés e xingarem e vão te dar razão. Mas quando nós fazemos a mesma coisa, somos chamadas de feministas mal-comidas ou algo do gênero. Reflitam sobre como vocês estão tratando as mulheres ao seu redor, e reflitam sobre como as pressões da ditadura de beleza estão afetando todo mundo. E que sempre tem um grupo que está sendo muito, muito afetado.

E esse grupo muito, muito afetado não são vocês. Que ainda tem opção. 

fonte: hairy-art
hairy pits club | hairy-armpits (tumblrs só de garotas que não se depilam. No segundo, tem nudez, só para avisar. E eu, pessoalmente, considero tumblr um bom lugar para se achar coisas que te ajudam a aceitar melhor o próprio corpo. Melhor que qualquer revista feminina que diz "aceite-se como é". Dica de @malu_mad ♥)

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

sério que a gente trocou orkut por... isso aqui?

Essa discussão é tão 2010, mas eu insisto em reafirmar os pontos que eu não disse na época. Até porque na época era tudo tabelas comparativas e técnicas: oh, facebook tem 489314 aplicativos x orkut tem comunidades. Nenhuma delas se baseava no nível de chatice das pessoas. Nenhuma dessas tabelas falava sobre o quão legais as pessoas poderiam ser no facebook ou no orkut. Pois bem, aqui estou eu para ressuscitar essa discussão no meu espaçozinho e chegar à uma única, simples e definitiva conclusão: o facebook é uma merda.

Vamos aos fatos:

nem precisei rolar muito na minha timeline pra achar.

1) O Facebook é um enorme Power Point.

Você lembra de como você abria os seus e-mails e recebia os arquivos .ppt da sua tia, do seu chefe, de desconhecidos eventuais? Você lembra que assim que você via que era um .ppt, você NÃO ABRIA, porque era MARAVILHOSO ter a opção de ignorar? Você lembra que havia dias com muito bom humor que cê abria aquele .ppt com imagens breguíssimas com lições de vida (em fonte Comic Sans, por favor), piadinhas engraçadas, fotos de bebês e gatinhos e mensagens edificantes sobre como Jesus te ama? Bem-vindo ao Facebook: onde todo mundo curte um milhão de coisas feeling Power Point e sabe a melhor parte? Você não tem escolha de ver ou não.

Sua amiga reblogou foto de um feto de oito meses saindo da barriga e dizendo "VOCÊ QUE É CONTRA O ABORTO, CURTA!!!"?
Seu colega de sala compartilhou a fotinha de The Big Bang Theory reclamando de friendzone?
Qualquer pessoinha muito feliz decidiu postar montagens tosquíssimas com molduras cor-de-rosa na foto dela?

Agora me diz: tinha isso no Orkut? Não, não tinha.
Tinha o seu scrapbook onde galera curtia perder seu tempo, achando que lá era lugar, sabe. Mas era SEU scrapbook e você apagava. Você escolhia quem podia postar lá. Você podia fazer a Paola Bracho e mandar todo mundo se catar, e ninguém achava que você era mal-educada, porque estava no SEU direito. Mas você não tem como reclamar das postagens dos outros. Você não pode proibir que todo mundo compartilhe coisas nojentas ou apenas idiotas. Então você tem que se contentar com o "ocultar publicação". Ou "cancelar assinatura" (e se ela compartilhar algo decente, você nunca verá). Ou "desfazer amizade" que é um nível muito drástico.

E é muito cruel de você fazer com sua tia. Sério.

[EDIT: antes estava .psd que é extensão do PHOTOSHOP. Joubs lembrou que a extensão do Power Point é .ppt e eu acabei confundindo porque é tudo com ~p~ lol. Sorry]

2) Os grupos do facebook: quem foi que achou que eram uma boa idéia fazê-los daquele jeito?

A parte mais legal de todas do Orkut era, sem dúvida alguma, as comunidades. Se você perdia seu tempo socializando no scrapbook alheio e comentando nas fotos dos seus amiguinhos, eu só lamento. As comunidades eram a parte legal. Elas eram movimentadas, cheias e podiam muito bem serem organizadas, a depender de quem era a moderação. Havia comunidades sobre tudo. E elas tinham tópicos, e dava para você dar link dos tópicos direitinho, se situar quanto à conversa rolando. Você podia ir em uma conversar sobre o vazio existencial da juventude do século XX e depois ir em outra e jogar conversa fora sobre os melhores botecos de São Paulo. E nenhum dos seus contatos seria informado de seus movimentos nas comunidades. Ficava lá. Pronto ♥

Mas os grupos são uma bagunça. As conversas vão pro ralo depois que acontecem, e eu tenho pena de você que tem que ficar clicando em "mensagens anteriores" para ver como tudo rolou, desde o começo. É um saco. Em um dos grupos que participo, para que haja organização, a moderação criou álbuns e aí as conversas vão rolando nas imagens postadas dentro de cada categoria. De todos os grupos, esse foi definitivamente o mais organizado e eu dou um prêmio para quem teve a idéia! (=^o^=)'

(e eu conhecia muita gente legal no Orkut. No facebook, até agora, não conheci ninguém que merecesse uma segunda visita no perfil)

3) O chat do facebook: foi por ele que nós abandonamos o msn?

Vantagens do msn:
• A janela de conversa pode ser do tamanho que você quiser, de acordo com seus desejos mais profundos.
• Você pode escolher a cor da sua letra (essencial se você tem o hábito de conversar com mais de duas pessoas ao mesmo tempo. Experimente conversar com 5, todos usando a mesma cor)
• Você pode utilizar emoticons, inclusive gifs criados por pessoas legais para expressar seus sentimentos mais íntimos.

Vantagens do chat do facebook:
• Ter o emoticon pronto do pinguim. E do tubarão. Que nem estão no coisinho de emoticons que abre quando você clica pra ver quais são. Além disso, qualquer pessoa pode muito bem transformar o coiso do pinguim em emoticon do msn e, voilá!, problema resolvido e msn wins, mais uma vez.

o pinguim é muito fofo como lidar sos//
Sim, eu ligo para cor de letra e gifs. Eu sou alguém que liga para essas coisas. O negócio é que o chat do facebook é totalmente... boring. Eu acabei me acostumando e conseguindo manter longas conversas com pessoas total amor, mas isso não faz do chat algo melhor. E agora o msn vai acabar e não tem nenhum programa que substitua o msn de forma tão digna. O Skype não é tão digno assim. O chat do face não é. Ambos são desconfortáveis aos olhos, com configurações mais confusas. Se você tem problema com letras pequenas, por exemplo, você vai continuar sofrendo. A menos que queira que tudo se torne gigante de uma vez. Um mundo sem msn é um mundo menos divertido, menos colorido e menos legal de se viver.

essa sou eu no facebook.

4) As pessoas se tornaram ainda mais imbecis no facebook ou o quê?

É absolutamente não gratificante tentar entrar em uma discussão sobre qualquer tema no facebook. É um saco. No orkut, você escrevia coisas realmente enormes e todo mundo lia. É claro que sempre tinha a galera babaca pra dizer "oh que bíblia" e tentar sambar na tua cara com um "mimimi". Mas no orkut, a maioria não se incomodava em realmente conversar ou, então, fazer um barraco daqueles. Todo mundo queria ter um argumento na ponta da língua, ainda que imbecil. Todo mundo queria "vencer" a discussão. Todo mundo queria, como se diz entre fanbases de cantoras pop, sambar na cara dos seus oponentes. Um debate era um negócio sério.

Aí você entra no facebook. Polêmica lançada. Você faz um longo comentário. E tudo o que as pessoas fazem é................................................

curtir.

CURTIR.
É tudo o que elas são capazes de fazer. E quando elas não curtem, elas te IGNORAM. Todo mundo fica tão 'pra quê discutir vamos ali tomar sorvete' e pronto. Não tem mais graça debater. As pessoas nem se dão ao trabalho de tentar aparecer com um post inteligente. Elas nem querem acrescentar algo ao que você disse. Elas curtem e, pronto, cabou debate. Eu estou com a hipótese de que o facebook está imbecibilizando as pessoas, com essa história de não propor nenhum debate, apenas curtidas e cutucadas. Daqui a uns dez anos mantendo esse ritmo, talvez, a gente só saiba grunhir.

(P.S.: nos últimos anos, o Orkut colocou o mecanismo de "curtir" as postagens dos comentários. Mas isso foi depois do auge. E muita gente nem usa. E além do mais, nem é discreto: aparece uma postagem no tópico dizendo que você curtiu aquilo.)

5) O que aconteceu com o conceito de 'não quero saber da sua vida'?

Sabe, quando você adiciona uma pessoa em qualquer rede social, você só tá querendo aquela pessoa em seus contatos. Beleza. Você não quer, de repente, acompanhar tudo o que a pessoa faz. Mas no facebook, você está imediatamente ciente de tudo o que ela faz. Não me venha com "é só cancelar a assinatura". Amor, a solução do facebook inteiro é cancelar assinatura. Estou falando da forma como o sistema é feito. Eu tenho contatos no face que aceitei por educação, porque assim manda a etiqueta desde que o mundo é mundo. Gente que é da escola, gente que troquei um olá e tal. E agora eu sei mais da pessoa do que gostaria de saber. O que ela comeu. O que ela fez. O que ela pensa. As séries que ela curte. E sabe qual é a pior parte?

As coisas que os OUTROS marcaram ela. Coisas tipo indireta do bem, indireta do mal, indireta sexual, indireta da puta que pariu. Eu sou obrigada a ver fotos que os outros que postaram e nem foi a pessoa, a pessoa tá realmente inocente e ela não tem como controlar os amiguinhos dela. Mas eu tô sacando. Tô sacando tudo. E vai tudo para sua linha de tempo. Aquela foto cafona que sua tia te marcou? Linha do tempo. Aquela imagem safada tipo "BRUNA COME DE PÉ RS RS" de algum amigo que achou ser engraçado? Linha do tempo. E você que se dê ao trabalho de ocultar/remover aquela maldita publicação da sua linha do tempo que os OUTROS que publicaram.

No facebook, literalmente, o inferno são os outros.

aquela vergonha básica quando a pessoa passa o dia inteiro postando foto de si mesmo com uma frase poética qualquer.
  
6) As estúpidas páginas de Rock wins, Orgulho Hetero e outras coisas babacas.

As comunidades babacas existiam e aos montes. E ficavam lá. Elas não apareciam no seu perfil do nada. E a menos que você fizesse uma burrice muito grande e acabasse aparecendo na comunidade Grandes Pérolas do Orkut (ali galera era compadre do próprio capeta tamanha a maldade), você tinha grandes chances de passar pela vida sem nunca ter visto nada muito babaca na sua vida. Mas, aqui no nosso lindo e maravilhoso mundo da Facebookilândia, você é obrigada a descobrir que seu colega de sala super curte Orgulho Hetero e acha que é legal compartilhar imagens falando sobre como todas as mulheres são vadias sem alma. Você é obrigada a ver a amiguinha compartilhando uma imagem tosquíssima comparando as mulheres do funk e do rock e descobrir que do rock é mais legal, porque Amy Lee é mais bonita que Valesca Popozuda.

Gente, eu já fui xingada de tudo que tinha direito por ser atéia em um monte de discussões no orkut. Mas eu entrava nessas discussões. Eu ia lá e metia o pau, e recebia os xingamentos de boa. Mas se eu nunca tivesse feito isso, eu nunca seria ofendida. Mas agora, sem entrar em uma discussão sequer, volta e meia sou ofendida por ser atéia porque um coleguinha resolveu que é uma boa idéia compartilhar aquelas imagens falando que só quem tem Jesus no coração sabe o que é felicidade. Sabe, aquele compartilhamento inocente, na boa, mas que tá falando mal de um monte de gente que não concorda com aquilo? Bem por aí.

Aí você, que discorda do fundo do seu âmago, mas não vai discutir porque ninguém discute no facebook (se você tentar discordar da imagem, tem grandes chances de ser ignorada) vai lá e compartilha uma imagem que é justamente o contrário da que foi postada. E espera que outras pessoas, as mesmas que compartilharam coisas babacas, vejam tal imagem. E aí se cria a:

7) Guerra de indiretas.

Ela está em todos os lugares. Mas em nenhum dos lugares, ela é tão forte quanto no Facebook.
Trocar um lugar que promovia socialização em níveis normais, até pra quem não curtia as comunidades, por um lugar que todo mundo só sabe dar altas indiretas de todos os jeitos possíveis me soa insanidade.

E considerando que indireta é um negócio bem infantil e ridículo, podemos pressupor que o facebook está tomado de pessoas que acham normal agirem de forma infantil e ridícula.

(e eu que li em uma das crônicas que facebook é uma rede mais séria? RISOS ETERNOS)

pra todos vocês, meus amorzinhos, que passam o dia dando indiretas ♥

8) A administração do facebook autoriza a existência de homofobia, misoginia e outros males da humanidade.

A administração do orkut era um negócio super incompetente. Você podia denunciar uma comunidade que super apóia a pedofilia um milhão de vezes, e ela nunca saía do ar. Mas o negócio é que todo mundo entendia que a sede do orkut ficava lá na puta que pariu (ok, não, fica na sede do Google) e tinha sido criado como um projeto extra dum cara turco. Ninguém ligava muito, sabe? A própria direção do orkut tava cagando pra as merdas que aconteciam, e se você publicasse uma foto nua sua, também não dava em nada. Simplesmente não tinha regra e o negócio era você saber por onde andar.

Mas o Facebook TEM uma administração.
Ela existe.
Ela é real.
Ela funciona.

E ela está removendo fotos de mães que estão amamentando seus filhos porque é nudez. Ou então removendo uma foto de uma guria na banheira porque (cês são brilhantes, viu) confundiu o cotovelo da menina com seio.
Mas ela considera que está tudo bem manter a página Lobo da Insanidade que declaradamente apóia e incentiva o estupro, inclusive ameaçando as mulheres que denunciam a página. Ela acha ok manter páginas que veiculem conteúdo homofóbico, racista, entre outros. A administração do facebook está lá perdendo seu tempo proibindo que se veja a pintura A Origem do Mundo, só porque tem uma vagina, e permite que páginas como Orgulho Hetero continue veiculando conteúdo obviamente homofóbico. Sério.

Eu não acho que isso seja normal.
Eu só posso considerar que a administração do Facebook seja tão doente quanto essas pessoas que veiculam esse tipo de conteúdo. Apenas isso.

esperando sentada uma nova rede social ♥
E a única vantagem do Facebook, até agora, é não permitir que pessoas coloquem símbolos estranhos em seus nomes. Só isso.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Talk About S: o S é de sexo, mas o álbum é sobre amor. e é amor ♥


2012 | pop coreano | link de download

Toda vez que falam de kpop, eu sempre fico tão POR FAVOR ESCUTE BROWN EYED GIRLS POR FAVOR BROWN EYED GIRLS porque eu acho que elas todas são lindas e fofas. Esses dias, eu conheci as Sunnyhill e as achei realmente boas, mas ainda não as conheço muito e não tive ainda aquele amorzinho todo por uma das meninas. Mas das Brown Eyed Girls, a que mais gosto é Gain por motivos misteriosos (mas as outras também são lindas e fofas) e ela lançou o segundo, acho, minialbum dela, chamado Talk About S.

(favor salientar que prefiro álbuns com mais de dez músicas. fico deprimida com os álbuns de cinco músicas, mas o que posso fazer?)

Eu achei as traduções até coerentes em um blog, o que me fez ficar muito mais feliz e ter o meu dia ganho. Todo mundo sabe que é muito mais legal amar um álbum quando você sabe, afinal, o que está sendo cantado. Talk About S, apesar do nome um tanto safadenho (brinks, é muito importante falar de sexo como algo natural), tem como tema principal o amor e as coisas que envolvem o amor. É um tema bem clichê, mas geralmente boa parte das pessoas se identificam imensamente com uma das músicas, porque elas são bem reais e atingem muito intimamente diversos aspectos (e são só cinco músicas sos).


O álbum abre com Tinkerbell que tem um teaser no qual Gain tá muito fofinha com o visual de fadinha, mas pena que a bichinha ainda não lançou o MV todinho pra apreciarmos. A música começa com batidinhas bem ritmadas, e a voz de Gain canta, às vezes, sussurrando. Você pode até mesmo escutar a respiração de Gain, enquanto ela pede para que ele a toque e a beije (sendo que o amor dos dois não é permitido, pelo visto). É um tom de segredo e confidência que Gain diz que ela é a Tinkerbell e ele o Peter Pan, e embora a música não seja a melhor do álbum, eu realmente a acho bem fofa e eu gostaria muito de ver o MV quando ele sair =3

do teaser de Tinkerbell. (fonte: twentyfirstcenturywhore)


Aí vem a segunda música que descobri, jogando no google, que se chama Tiredness. Ela é bem mais limpa do que Tinkerbell e a voz de Gain está mais doce e madura, eu acho. Ela já não é mais tão florescente e tudo o mais, ao contrário: é sobre um amor que meio que se acabou. Gain, aqui, está mais lamentando do que qualquer outra coisa. Mas não é sobre ele a abandonando. É ela que precisa ir, que diz que não quer que ele fique grudado nela, e que ela vai lembrar dele e ainda ligar quando estiver bêbada, mas que é preciso que ele vá e que ela precisa ir. Particularmente, ela é uma das que eu mais gosto =3

A terceira faixa é a Bloom, a única que teve direito a um MV completo até agora. E ela é considerada fraca pelas críticas, pelo que vi, mas é uma das que eu mais amo. Ela expressa totalmente o sentido de se apaixonar. Aquela sensação de quando você ama tão totalmente uma pessoa que ela se torna seu universo e você nem liga pra isso, é exatamente disso que se trata Bloom. É uma música muito felizinha e toda animada, e eu acho ótimo para ouvir quando você está apaixonada (e se você não estiver, mas já tiver se apaixonado uma vez, pra lembrar de como era). O MV é todo em tons claros, com cenas de Gain na cama e há muita luz do sol, muitas cores pastéis, muitas rosas cafoníssimas gigantes florescendo hahaha

não era bem o gif que queria, mas... do MV de Bloom. (fonte: 223423)
 E há, também, cenas mais escuras no qual você percebe uma insinuação de masturbação, no qual Gain está se tocando. Eu, particularmente, acho que essas partes lembram o nome do álbum (Talk About S, no qual o sexo se esconde na única letra) e o MV dá um sentido relacionado às descobertas sexuais também. Mas, aqui, o sexo não é algo sujo ou pervertido: é parte das coisas felizes que Gain descobre com seu novo amor. Essa faixa me deixa feliz só de ouvi-la, e eu não me importo com as cafonices do MV lol

The Gaze, que é um feat com um cara chamado Yoon Jong Shin (não faço idéia de quem seja e não fui no Google ver a cara do cidadão), não é tão feliz como Bloom. Ela é um pouco similar ao Tiredness, quando eu penso em como a voz de Gain soa mais madura e a música tem um ritmo mais leve (não sei explicar como, só sinto). Eu a acho muito relaxante, adequada para vir depois de Bloom =3
Ela é sobre um amor que não está dando certo. Gain fala de um momento não muito muito feliz, no qual ele está desviando o olhar dela, e ela precisa da atenção e carinho dele. É uma música bem vulnerável e íntima, e a voz do Yoon Jong Shin combinou bem com a voz dela, ao meu ver.

Aí o álbum se encerra com a quinta música, Catch Me If You Can, que é toda catchy lol. Ela é bem fofinha e foi a que recebeu o teaser mais fofinho, com Gain de colegial haha. Tem uma levada mais rápida, com batidinhas, e é toda animada. Aqui Gain está pedindo pro cara pegá-la logo de jeito e atrai-la para dentro dele (hahahaha). Eu me sinto muito repetitiva a essa altura, dizendo mais uma vez que Gain está muito doce e melodiosa, mas não tenho outra maneira de dizer a mesma coisa.

No geral, eu acho que todas as músicas são realmente boas. Eu entendo que alguns fãs de Gain não tenham apreciado o título do álbum (vi uma crítica falando que não é necessário que se tenha tudo tão voltado para o sexo), mas eu acho que ela soube balancear bem as coisas. O álbum não tem aquela vibe tão sexual, e por vibe sexual, entenda-se In The Zone, de Britney Spears, por exemplo. Gain está cantando (e não gemendo), e eu acho isso importante porque quando os cantores atuais resolvem falar de sexo, por algum motivo obscuro, eles acham que só precisam gemer bastante com uma forte marcação de ritmo, aliado à uma coreografia bem sensual. Mas aí você vem com Bloom que é todo pastelzinho e fófis e cafoninha lol

De todas as faixas, a melhor, na minha opinião, é The Gaze. Os vocais se combinam muito bem, e eu acho essencial você parar para prestar atenção no instrumental. Mas eu tenho tanto amor por Bloom que é ela que acabo escutando mais vezes =3

Todas as músicas tem teasers, pelo que vi no Youtube, mas acho que só Bloom terá um MV mesmo. Fico triste com isso, porque acho que todas elas merecem ser singles e tudo o mais. Mas já que não é possível, acho que Tinkerbell deveria ter suas cenas aproveitadas, e Catch Me If You Can também, porque essas duas músicas tiveram um visual diferente dos outros teasers, dando a entender que ela já começou a gravar e eu odeio ver gravações desperdiçadas. Mas de todas as músicas sem MV ainda, a que eu mais queria que tivesse um MV é The Gaze. =3

review allkpop | traduções em português | MV Bloom in HD

a carinha mais nhom nhom ♥ (fonte: bigbang-uploader)

sábado, 2 de fevereiro de 2013

todas biscates

fonte: teampanicat
Hoje me envolvi em uma discussão virtual acerca de feminismo, como não participava fazia muito tempo. A publicação, infelizmente, foi deletada, mas não é inusitado - as pessoas sempre consideram que uma discussão polêmica e inflamada é algo negativo que deve ser coibido de todos os fóruns, exceto aqueles específicos. Então é normal que esse tipo de discussão sempre seja deletado. Se dependesse de mim, todas as discussões evoluíriam para aquele momento que tudo explodisse e então só restassem as cinzas. Mas a questão é que havia todo um julgamento em cima das moças consideradas panicats.

As mencionadas panicats, pelo que sei, são moças que trabalham para Pânico, um programa de TV. Até agora eu não sei exatamente o que elas fazem, além de existirem e desfilarem seus corpos, mas eu tenho certeza que elas gastam muito tempo moldando seus corpos, inclusive com hormônios.

Não vou nem entrar no mérito sobre elas serem bonitas ou não. Isso é uma questão de gosto e assim como tem gente (não apenas caras. Acho um saco essa mania de falar que ~homens curtem~ como se a função das mulheres seja serem bonitas pra pegarem um macho) que curte um visual mais curvilíneo e tido como "feminino", há outras pessoas que preferem é um modelo mais ~panicat~ mesmo, com coxas grossas e torneadas, traseiro e busto grande, e tudo o mais. Eu apenas questiono a necessidade que as pessoas tem de apontarem elas como biscates, oferecidas, putas, entre outros adjetivos tão belos para designar a sexualidade feminina.

Acho interessante listar que

1) Essas pessoas que fazem questão de ofender as ditas panicats são mulheres.
2) O grupo da discussão tem como foco trocar idéias e dicas sobre cabelos coloridos. Então eram mulheres que vivenciam o preconceito por assumirem os cabelos de cores não-naturais.
3) O que torna tudo isso muito hipócrita.

Mas, por tudo que é sagrado, o que faz com que vocês se joguem uma contra a outra, chamando uma a outra de vadias e biscates só pela aparência? Como vocês se sentem no direito de julgarem mulheres porque elas resolveram injetar hormônios e colocarem silicones? Por acaso, nós não esforçamos todos os dias, nos depilando, escovando nossos cabelos, clareando nossos dentes para parecerem de comercial? Não estamos aqui todas lutando para nos encaixar em um estúpido padrão de beleza que, no final, excluirá todo mundo? E se você enche a boca pra falar que não, que é alternativa e coloca um alargador, desculpa, mas vou jogar a verdade: o fato de você não se encaixar em um padrão não quer dizer que você não tente se encaixar em outro. Cada um sabe das dores que já passou tentando achar o próprio lugar no mundo.

Não há diferença entre eu e uma Panicat. Nós somos mulheres e nós aguentamos o que pudemos. Se ela resolver colocar a droga de um bronzeamento artificial e eu resolvi fazer tatuagens, bem, isso é inteiramente da nossa conta. E se ela quiser sair de calcinha na rua, isso é inteiramente da conta dela, assim como se eu resolver usar uma meia 7/8 e parecer uma prostituta de filme, isso é inteiramente da minha conta. E enquanto vocês sentam e falam "mas nós seremos julgadas, a sociedade é assim, então...", eu não vou me sentar e dizer que está tudo ok. Eu não vou concordar em ser julgada por isso. E eu não vou aceitar que pessoas julguem outras mulheres perto de mim. Porque essas mulheres poderiam ser eu também.

E, verdade seja dita, poderiam ser qualquer uma de vocês.

Quando vocês consentem em criticarem uma mulher pela aparência dela e as desqualificarem usando termos totalmente machistas, vocês estão permitindo que a mesma coisa seja feita com vocês. Porque, acredite, ser vadia não é exclusividade das panicats. Na sociedade em que vivemos, qualquer mulher pode ser uma vadia. Basta ela se desviar um pouquinho do caminho da santidade e, pronto. Vacilou.

E essas são vocês. Achando que estão livres do julgamento. Mas são todas vadias. Se as panicats são biscates, eu também sou. E todas vocês, cada uma de vocês que se ergueram e se acharam superiores porque "não são assim", também. Todas biscates. Sem exceção. Afinal... tudo o que precisa fazer para se ser uma ~dessas~ é ser uma mulher. E não somos todas mulheres?

(adendo: além de que eu vi uma boa parte das críticas à aparência, dizendo que elas pareciam "travestis" e/ou "transsexuais". Isso é de uma transfobia enorme, e é extremamente ofensivo. Se vocês tivessem um mínimo de consideração pela luta trans* com e sem asterisco, nunca diriam uma merda dessas.)

fonte: just1girlintheworld