segunda-feira, 29 de abril de 2013

Semana 8 - Os melhores filmes infantis que já assisti foram:

Quem me conhece sabe que tenho um crush enorme por filme infantil. Então, vai lá, nós já sabemos que a ordem dos fatores não interfere no resultado, que não tenho amor maior pelo #1 do que pelo #5 e que excluí muito filme porque, sabe, só cabe 5 nessa listinha simpática.
 
fonte do gif: lovelydisney
#1. Pocahontas
Por razões de: eu vi esse filme umas 12589 vezes em toda a minha vida, incluindo os replays na época do VHS (que cê tinha que rebobinar a parada antes de ver novamente). Eu vi porque eu amava esse filme, muito mesmo. Admirava Pocahontas mais do que tudo, por razões de:
a) Ela não era uma princesa branca de olhos azuis e eu me identificava mais com ela do que com as outras;
b) Ela tinha o nobre objetivo de defender o povo dela;
c) Ela tinha um guaxinim como animal de estimação.

Além disso ela não termina o filme com um cara, abrindo mão do seu grande amor para ficar e lutar pelo seu povo contra as investidas dos colonos britânicos. Como se não bastasse, eu usei uma música de Pocahontas (Glória, Deus e Ouro), a primeiríssima de todas, em um trabalho de história do ensino médio como uma maneira de introduzir o assunto das grandes navegações, contextualizando o que era a "glória", "Deus" e "ouro" no século XVI e abordando cada ponto, consegui, ao fim, resenhar o filme Desmundo (que eu acho que todos vocês deveriam assistir. Acho obrigatório).

Sim, eu usei Pocahontas para acabar falando de um filme que fala sobre portugueses colonizando o Brasil. E eu ganhei nota máxima. Como não colocar um filme desses em uma lista dessas?

 
também é do lovelydisney
#2. Anastacia

Esse filme não é muito legal historicamente falando, considerando que existe uma distorção lindíssima de como se procedeu a Revolução Russa, pintando a família real como a galera linda e boazinha que foi cruelmente forçada a abandonar seus castelos da população malvada governada por um cara malvado. Quem sabe um pouco da Revolução Russa sabe que a coisa não foi bem daquele jeito, e que embora Anastacia não tivesse culpa nenhuma pelo sofrimento da população, ainda assim você sabe que é perfeitamente compreensível o ódio que o povo russo adquiriu do czar e sua família. Afinal, se você vivesse morrendo de fome, no meio de uma guerra sem sentido, enquanto a família real se esbaldava em comida e ouro, porra, não se podia esperar outra coisa.

Acontece que eu tenho uma coisa com Anastacia (e olha que eu nunca vi legendado, o que significa que eu nunca nem entendi o filme todo, nem lembro das falas). Eu gosto dos desenhos. Eu gosto, principalmente, da cena que ela está usando um colar de diamantes, eu acho, e ele brilha super bonito e é por isso que amo esse filme: visualmente falando, acho ele encantador. Os movimentos dos personagens, a maneira como as coisas são pintadas, tudo é tão bonito que me faz colocá-lo nessa lista porque sim.
 
tá em algum lugar desse tumblr
#3. O Estranho Mundo de Jack

Meu filme de infância favorito desde sempre. A história é sempre: Jack, O Esqueleto, está cansado de assombrar criancinhas no Halloween. Aí ele conhece o Mundo do Natal e resolve fazer o Natal, mas ele não sabe nadinha sobre o que é o Natal e faz do jeito dele: sequestrando o Papai Noel, enviando monstros comedores de gente como presente para crianças e coisas do gênero. Eu já vi esse filme tantas vezes que quase decorei as frases (sou péssima para decorar frases, sabe) e é o que mais me desperta nostalgia por dois motivos: infância e Natal. E, por algum motivo, virou uma espécie de presente curinga no qual as pessoas gostam de me presentear com coisas relacionadas ao filme: usei uma mochila com o Jack até ela rasgar, tenho button, bonequinho, etc.

E tem, pra mim, uma das melhores personagens de todos os tempos: Sally. Eu não me importo se há pessoas que acreditam que ela é bobinha, fraca ou mesmo inexpressiva. Eu a amo. Sally é a bondade em uma terra de gente que só gosta de infernizar a vida dos outros por um feriado, Sally é a alma boa e piedosa em um mundo de bichos-papões, vampiros e lobisomens. O coração dela é apenas bom, e ela é apaixonada e demonstra seu amor em pequenos gestos de conforto e cuidado. Ela é uma linda, só isso.

E a melhor música desse filme sempre será a que as três crianças cantam sobre "sequestrar Papai Cruel" e as maneiras de se capturá-lo.
 
lovelydisney again!
#4. Hércules

Razão número 01: as Musas.
Razão número 02: a Meg.
Razão número 03: a música que as Musas e a Meg cantam junto e é, tipo, uma das MELHORES músicas feitas pela Disney de todos os tempos. Não me importo se você discorda. Ela continua sendo uma das melhores e ponto final.

E olha que eu até simpatizo com Hércules nesse filme, o que é uma grande coisa, porque sou dessas que acha difícil compartilhar com o "herói" de alguma história.

 
from: iknowthisisalladreambut
#5. A Viagem de Chihiro

Se você não é dessas de curtir filme infantil, então veja A Viagem de Chihiro. Sério. É o tipo de filme que está nessa lista não apenas porque eu amo, mas porque é bom. É sobre uma garota meio resmungona que está se mudando de cidade e então os pais dela se perdem na estrada, levando o carro até um parque esquisito e todo vazio. Aí os pais vão lá e resolvem comer em uma das barracas abertas, vazias e, no entanto, cheias de comida. E eles comem e comem e comem...

... e viram porcos.

E a pobre Chihiro se vê aprisionada em um local que acaba por descobrir que é uma espécie de refúgio pra espíritos e demônios e coisas do gênero. É uma parada super louca e é muito bom mesmo, cheio de cenas lindíssimas que não posso falar, senão é spoiler. Sério, recomendo muito. <3

Considerações finais:

01. Não coloquei Mulan porque eu me obriguei a escolher entre Mulan e Pocahontas, e Mulan nunca me fez ganhar nota máxima num trabalho escolar.
02. O Corcunda de Notre Dame entraria nessa lista se fosse #6. Só por causa da música Filhos de Deus.
03. Não tem nenhum filme Pixar. O único que eu efetivamente colocaria seria Valente (se fosse um top 10) e, talvez, Os Incríveis. Eu amo Pixar de verdade, mas quando eu refleti sobre os filmes que mais ocupam meu coração de fangirl, acabo percebendo que me volto para a Disney mesmo. Talvez seja porque eu me identifique mais, eu não sei. Eu sempre fui obcecada por princesas e filmes com números musicais, então é meio óbvio que eu acabe considerando mais isso. Eu só queria que a Pixar tivesse mais personagens femininas :(

sábado, 27 de abril de 2013

Justificando a falta

Eu gostaria de pedir compreensão das pessoinhas que me lêem. Primeiramente: eu vou me mudar para Juiz de Fora semana que vem. Isso significa malas enormes sendo feitas, computador sendo embalado, despedidas se concretizando, uma nova casa para arrumar, carga emocional que pode ser maior do que eu espero. Quem já se mudou de casa, cidade, estado, país ou universo por quaisquer motivos sabe perfeitamente o quão isso pode ser cansativo e tomar todo seu tempo e atenção.

Eu mesma não conseguia me concentrar aqui, porque eu passei os últimos dias ou pensando sobre Juiz de Fora ou me hibernando em outro mundo completamente diferente que era os das fanfics, que me serviram e ainda me servem de escape para o mundo aqui. Então eu peço desculpas à todos vocês pela minha ausência e peço compreensão para a ausência dos próximos dias. Mas não se preocupem, eu não enjoei do blog, não quero abandoná-lo, muito menos estou sem idéias para pautas. Eu tenho diversas ideias, na verdade, e eu até penso em deixar posts prontos para vocês, mas eu gosto muito de divulgar no twitter e facebook e acompanhar a reação de vocês naquele momento. Então, não, eu não deixarei posts prontos.

Exceto o do meme das 52 Semanas e alguns posts aleatórios de "amor do dia" que são apenas imagens ou vídeos simpáticos para abrilhantar o dia de vocês :)

Novamente, agradeço a compreensão e torçam por mim!


terça-feira, 23 de abril de 2013

amor do dia: a thousand words for love.


"Eu li uma vez que os antigos egípcios tinham cinquenta palavras para areia e os esquimós tinham cem palavras para a neve. Eu queria que eu tivesse mil palavras para amor, mas tudo que vem à mente é o modo como você se move contra mim enquanto você dorme. E não há palavras para isso"
Tô feliz e quis compartilhar algo amor com vocês.
Eu acho importante que, eventualmente, eu compartilhe coisas legais e lindas para que vocês tenham um bom dia. Para que vocês sorriam por alguns segundos. Eu vi esse pequeno texto graças à uma garota que quis compartilhar algo amorzinho e eu me senti no dever de repassar para todos vocês. Eu acredito que é uma sensação que muitas pessoas apaixonadas tem, porque eu mesma já tive, e eu acredito que é um dos melhores sentimentos do mundo. Porque amor é pequeno demais para tudo isso, a verdade é essa.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Semana 7 - Eu sempre...

EU SEI.
EU SEI QUE TÔ HÁ DIAS SEMANAS MESES SEM POSTAR NADA.

E eu sei que quando até UM CERTO AMIGO MEU DIZ "Você não posta mais nada. Fim da reclamação", É QUE A COISA TÁ FEIA. Desculpa. Desculpa de novo!!!

Voltando com o meme da segunda-feira, que é o título lá em cima, super maravilhoso, é de coisas que eu sempre [insira condição aqui]. Isso é mais difícil do que parece, porque acreditem ou não, eu sempre mudei de gostos (por exemplo, eu nem sempre gostei de Harry Potter, nem sempre gostei de fanfics, nem sempre gostei de pop, etc) então vamos lá. Eu sempre...

 #1. ...gostei de quadrinhos.

Taí. Algo que nunca desgostei em toda a minha vida. Vejam bem, eu não sou dessas que leu HQs quando criança por motivos de: ninguém me deu uma HQ quando criança. Mas eu li tirinhas, muitas e muitas e muitas tirinhas até tal ponto que eu passei a sonhar em virar cartunista (e alguém estragou meus sonhos dizendo que ser cartunista não era sobre saber desenhar, mas sobre saber contar uma piada e, bem, eu não sei contar piadas nem se a minha vida dependesse disso, então). Calvin e Haroldo, Mafalda, Hagar são personagens que fizeram parte da minha infância e continuam fazendo parte da minha vida. Eu já li TODAS as tirinhas de Mafalda (sério, todas). Já li TODAS de Calvin e Haroldo. E releio novamente, quantas vezes for necessário.

Eu gosto de histórias em quadrinho mais complexas (e quando criança, história complexa, pra mim, era Witch), especialmente mangás.
E quando eu conheci Sandman, passei a gostar muito, muito mesmo. No momento, estou esperando me mudar para Juiz de Fora para ler absolutamente tudo o que eu puder encostar de Sandman porque a minha amiguinha que será colega de quarto levará suas HQs de Sandman que custam caro, muito caro pros meus bolsos e, juro, sou a pessoa mais feliz do mundo só de pensar nisso <3

aproveitando o momento pra dizer que esses desenhos são feitos por Caroline Jamhour que é uma linda que faz ilustrações e quero ESSA almofada com um dos desenhos dela. todo meu amor pra quem me dar uma dessas.
 #2. ...gostei de coisas relacionadas ao esoterismo.

Fadas, elementais, bruxas, espíritos, duendes, gnomos, silfas, ninfas, etc, etc, etc.
Sempre tiveram um espaçozinho reservado no meu coração, nos meus desenhos, nas minhas histórias. Eu já fui praticante de wicca por um período e meu ateísmo foi lá e tomou o lugar. Mas o fato de eu não acreditar em nenhuma entidade sobrenatural que vigia pela minha alma não me impede de gostar dessas coisas todas. Eu sou daquelas pessoas que gosta de falar de astrologia, que sabe o seu mapa astral de cor e salteado, que é louca por desenhos de fadas e bruxas, que ama lendas antigas.

Um dia que eu for escritora e ilustradora, vocês vão perceber que meu trabalho vai refletir muito desse gosto, porque eu acho lindo, acho mágico, acho um outro nível de beleza. Eu ainda tenho um livro sobre ser wicca com diversos feitiços e rituais que pretendo guardar para futuras histórias, e pretendo expandir mais ainda meu conhecimento dessa áre :)

todo mundo gosta de compartilhar essa imagem como algo "triste". essa imagem é muito eu, mas não é triste. é que estou constantemente pensando em um novo plot para uma nova história e por aí vai. vocês não merecem saber disso tudo, sério.
 #3. ...criei histórias do nada.

Eu podia nunca saber qual seria a minha profissão "principal". Já pensei em ser estilista, jornalista, professora de história, etc. Mas eu nunca pensei em outro futuro para mim que não fosse escrevendo. Eu não pensava em ser uma escritora, porque não queria que meu maior prazer se tornasse obrigação, mas hoje vejo que é possível viver sendo escritora e ilustradora, entre outras opções. Não que eu seja a maior literata do mundo, mas literatura sempre foi o que me definiu. Além disso, eu sempre tive uma enorme compulsão por criar histórias. Eu lembro da minha pessoa com sete, oito anos criando personagens, com suas famílias, árvores genealógicas, fichas psicológicas que combinavam com seus signos que combinavam com suas datas de nascimento. Eu gostava de criar mundos inteiros, e de pegar contos de fada e contar a história de um personagem secundário (em uma ocasião por exemplo, eu viajei na maionese e criei a história todinha dos pais de Cinderela até seu fim trágico).

Eu fazia plantas das casas de onde meus personagens viviam.
E isso é algo que posso dizer, concretamente, que sempre aconteceu. Não posso dizer apenas que "foi algo que te incentivaram" como acontece com seus gostos, porque minha irmã foi criada igualzinha à mim, com os mesmos estímulos à leitura, criação, artes e tudo o mais, e ela nunca foi tão pirada em criar histórias e personagens que nem eu.

(em contrapartida, sou extremamente tímida para mostrar minhas histórias livremente e nem linko as coisas pra vocês. Então cês se virem e achem elas - geralmente fanfics - por aí. Porque as originais mesmo, não mostro. Fica tudo no meu computador e vocês só vão ver quando um dia publicar um livro)

Esse desenho é do lindo maravilhoso digníssimo "A Fada Que Tinha Idéias", meu livro infantil favorito sobre uma fada que amava criar coisas coloridas e fazia assim mesmo, proibida pela rainha.
 #4. ...gostei de ler.

E, por motivos que fogem à minha compreensão, todo mundo sempre considerou que isso me transformava automaticamente uma garota esperta, inteligente e super sagaz. O negócio é que se eu não via muita TV e sempre detestei exercícios físicos (sim, eu era aquela criança chata que só brincava de pega-congelou porque aí eu torcia para ser pega, ficar "congelada" e NÃO ME MEXER!!! Quando era apenas pega-pega, eu inventava uma desculpa e ficava paradinha no meu canto), então livros sempre foram minha ocupação. Eu ainda tenho uns livros de quando eu era criança e que vou passar para a próxima geração, como A Fada Que Tinha Idéias (obra-prima primordial para crianças aprenderem que nunca devem deixar de pensarem por si próprias, mesmo que tenha uma rainha malvada não querendo que ninguém tenha idéias. Porque até a rainha aceita amor se você der coisas amor pra ela!) <3

E aos 8 anos, minha irmã começou a ler Harry Potter para mim (eu tinha medo de livros grandes sem ilustrações!) e, pronto, o resto foi fluindo tranquilamente.

Os Marotos em uma linda, sorridente e ensolarada versão. antes da tragédia toda.
#5. ...amarei Harry Potter.

Eu odeio os apelidos "pottermaniaco", "potterhead" ou qualquer do gênero. Eu tenho antipatia com apelidos para fãs, em geral. E quase sempre me irrito com o fandom de Harry Potter por ter muita gente que só sabe dizer o quão Harry Potter é maravilhoso e perfeito e sublime, e não consegue fazer uma crítica sequer à série. Eu gosto mais da parte do fandom de HP que é envolvida com fanfics, fanarts e um milhão de debates que vão além do canon que é oferecido pela Rowling.

O negócio é que Harry Potter foi minha vida e eu não posso evitar. Eu posso até detestar os filmes e xingar os produtores por todas as alterações, mas os livros são parte fundamental da minha identidade. Com eles, construí boa parte dos meus conceitos, tendo-os como ensinamentos para vida toda (ser Lufa-Lufa, por exemplo, não é uma questão de "qual sua casa preferida?". É uma questão de tudo que eu quero ser na minha vida), quando passei a amar personagens como se fossem pessoas reais, quando desejei realmente virar escritora só para fazer outra pessoa sentir com minhas histórias o que eu sentia com as histórias e como foi uma série longa que se prolongou por uns dez anos, posso dizer que passei boa parte da minha vida crescendo com os personagens, ansiando pelo próximo livro, me envolvendo em debates sobre o rumo e a personalidade psicológica de cada um, inclusive dos secundários - e isso é leitura de verdade. É leitura com interpretação dos fatos, é leitura com envolvimento emocional. Ler por ler não tem graça. E Harry Potter me fez ler sobre os mesmos personagens por anos por querer e isso fez toda a diferença.

(além do fato de que ainda amo o suficiente para ter um ritual de que todas as férias, tem a "semana de Harry Potter" no qual leio um livro por dia. Infelizmente, não o cumpro já faz um ano. Prometo me corrigir nas próximas férias! Mas estou relendo Harry Potter por agora. Sim. Uma semana antes de me mudar para Juiz de Fora, resolvo reler sete livros - mas isso é a minha vida, sempre foi.)

sábado, 13 de abril de 2013

Meu ateísmo não é mais político

Esse tipo de frase é bem empoderador para quem está assumindo seu ateísmo (e sempre se sentiu preso ao cristianismo). Eu entendo cristãos se ofenderem com esse tipo de afirmação, mas eu peço a vocês que entenda o lado de quem tenta verbalizar esse sentimento (mas ainda acho que não precisa pichar no portão de ninguém)

Uma das minhas posições mais controversas não é ser feminista. Não é ser a favor do casamento igualitário ou nem mesmo ser a favor das cotas raciais. Boa parte das pessoas compreendem isso tranquilamente, e compreendem minhas motivações. Eu acredito, hoje, que a posição que eu tomo que é a mais controversa é a de ser atéia. E é ela que me deixa mais confusa.

Vejam bem: quando me tornei atéia, eu não fazia idéia de que milhares de pessoas viam essa escolha como algo político. Eu sequer sabia que tinha algo de errado em não acreditar em deus algum. Descobri isso mais tarde. Eu não sabia que era errado, para as pessoas, questionar as religiões. De modo que eu questionava pontos do cristianismo e eu recebia reações negativas, mas nunca achei que isso era algo errado. Eu nunca considerei que era importante ser uma pessoa espiritualizada ou algo assim. Nunca passei pelo período de me sentir culpada porque não acreditava em nada. Para mim, desde sempre, não acreditar em algo sempre foi tão legítimo quando acreditar.

Apenas mais tarde quando eu disse abertamente que não acreditava que eu percebi o quão eu podia ser qualquer coisa, menos atéia. Que eu podia ser, nas palavras dos meus colegas, uma "piriguete" ou ser péssima aluna, ou me recusar a dar a cola nas provas, enfim, eu podia ser qualquer coisa que eles ainda me aceitariam. Eu só não podia não acreditar em deus. Já tive colegas me cercando e gritando comigo sobre como assim, eu não acreditava em deus, e aquilo serviu para me mostrar que eu precisava de algo mais sólido para defender minha posição. Foi a partir desse ponto que eu comecei a transformar meu ateísmo em algo mais político, mais ideológico.

Hoje, poucos anos depois, eu ainda considero o ateísmo como uma boa escolha. Ele me permitiu me distanciar das religiões e dos seus dogmas que mais me aprisionavam em coisas absurdas do que me libertavam, me deu liberdade para eu tomar as outras ideologias que eu quisesse (ser feminista, por exemplo), sem precisar me preocupar em conciliar coisas que se contradiziam. Eu imagino como feministas católicas ou muçulmanas precisam constantemente andar entre uma religião monoteísta e com preceitos claramente machistas e uma ideologia que combate esses preceitos, e de como elas conseguem conciliar os dois. Acho admirável que alguém consiga fazer isso, mas não é algo que eu faria. O ateísmo me deu toda essa liberdade.

Além disso, as pessoas tem a impressão de que as pessoas atéias, por serem atéias, conhecem toda a ciência de cabo a rabo e tem todas as explicações do mundo desde o Big Bang até porquê os macacos não evoluíram junto com os seres humanos e, bem, isso me forçou a me interessar mais por ciência e suas explicações. De certa maneira, eu ser atéia (e a reação negativa que as pessoas tiveram com isso) acabou me forçando a me instruir mais em áreas do conhecimento humano como, por exemplo, biologia. Ou seja: o ateísmo, como um todo, teve consequências positivas para a minha vida.

Eu não compartilho da crença de que os ateus são naturalmente mais inteligentes do que qualquer outra pessoa que acredite em deus. Primeiro, porque eu acredito que a inteligência depende de uma série de fatores e que nenhuma delas tem a ver com acreditar em entidades divinas ou não. Segundo, porque é uma espécie de generalização grande demais e um tanto burra. Porque isso significa presumir que toda a humanidade até os dias atuais é burra, e que todo o conhecimento já produzido por cristãos é de menor valor do que o produzido por ateus. Terceiro, porque seria mentira dizer que a religião (de forma generalizada) só causou malefícios à humanidade. Isso não é verdade. Eu posso defender muito bem que hoje, nos dias atuais, no século XXI, que o cristianismo está mais prejudicando do que beneficiando (vide o Papa e o Vaticano, as igrejas neopentecostais que, inclusive, enviam missionários para cidades miseráveis no continente africano apenas para evangélizá-los, entre outras coisas). Eu defendo essa posição claramente e isso não é segredo para ninguém. Mas afirmar que a Igreja Católica, por exemplo, só trouxe desgraça ao mundo é até mesmo de má fé.

(provavelmente eu já disse isso em algum momento de raiva ou talvez não tenha me expressado direito, porém sempre se pode mudar de opinião)

Hoje em dia eu não gosto muito de dizer que "compartilho do ateísmo" devido a essa espécie de ateus que fazem questão de reafirmarem suas posições com mais ódio ainda. Eu entendo o lado deles e eu entendo que se eles tivessem sido deixados em paz quando decidiram ser ateus, provavelmente não seriam assim. Se eu tivesse sido deixada em paz, eu provavelmente não me importaria tanto assim com as religiões, em geral. Mas, ainda assim, você escolhe a forma que vai reagir contra seus "adversários", por dizer assim. Você escolhe afirmar que ser cristão é ser burro. Você escolhe compartilhar imagens sarcásticas produzidas pela ATEA se dizendo superior apenas porque você não acredita em deus. Você escolhe passar essa imagem raivosa.

Mas, meu amor, ser ateu não te faz melhor que ninguém. Assim como ser feminista não livra uma pessoa dos outros preconceitos. Não existe nenhuma posição ideológica que garanta à alguém uma evolução espiritual automática. A única maneira de você ser uma pessoa legal é você ser uma pessoa legal.

Eu fico muito desapontada ao observar garotos ateus sendo extremamente misóginos, se posicionando contra cotas raciais de uma forma extraordinariamente racista, entre outras coisas, e de todas as posições ideológicas que já vi, o ateísmo é um dos que mais permitem esse tipo de comportamento. Porque o ateísmo é apenas a não-crença em nenhuma divindade. O resto vem de nós. Eu optei por juntar meu ateísmo ao feminismo, ao transfeminismo, ao movimento LGBT. Mas outros ateus são apenas ateus e suas merdas proferidas não diferem de Feliciano ou Bolsonaro.

Por ver todas essas coisas, acabei retraindo. Houve uma época que meu ateísmo se tornou político. Que se tornou algo pelo qual sou apegada, algo pelo qual achava que valia a pena lutar mais do que qualquer outra coisa. Mas hoje, eu me dou ao direito de mudar de posicionamento e redefinir minhas prioridades. Eu continuo sendo atéia e eu continuo defendendo o meu direito à não-crença (o que significa ser contrária aos partidos religiosos, ao crucifixo na Câmara, ao "Deus seja louvado" nas cédulas). Eu vou continuar a me ofender se você me obrigar a rezar com você. Mas meu ateísmo não é mais político. Ele é uma descrença minha, apenas minha, e não acharei mais que ela é qualquer tipo de libertação para qualquer pessoa. Eu continuarei fascinada pela ciência e por suas ramificações, mas eu simplesmente não erguerei mais o dedo para defender o ateísmo como ideologia - não quando ele está impregnado de pessoas machistas, racistas, transfóbicas e com um estúpido senso de superioridade, com as quais não quero ter nenhum tipo de contato.


quinta-feira, 11 de abril de 2013

Como debater com pessoas como eu

fonte: fuckyeahsubversivekawaii
Eu ia escrever sobre o Femen hoje, mas outra coisa acabou capturando a minha atenção: o Mercúrio na Astrologia. Não, o post não é sobre astrologia, é só pra comentar que descobri esses dias que o Mercúrio, na astrologia, fala sobre a sua maneira de se expressar e é esse o meu foco no momento. Eu SEI que é repetitivo, porque já disse isso, mas quero falar de novo. Então. Eu tenho um estilo muito pontual e inflexível quando eu demonstro o que eu penso das coisas, principalmente quando se refere ao feminismo, movimento LGBT, etc. Eu não sou nem um pouco gentil, e não sou uma fã de um estilo mais calmo, de modo que passo por agressiva muitas vezes. Uma amiga já disse que ela ficava feliz por ser minha amiga, porque ela não queria, nunca, que ela estivesse "do outro lado" em um debate comigo. De modo que eu sei claramente sobre como é a minha postura quando eu quero manifestar as minhas idéias e, infelizmente para muitas pessoas, eu não quero mudar essa postura.

Vou ser muito clara quanto à isso: eu sou exatamente desse tipo. Quando eu quiser entrar em um debate, eu vou escrever textos enormes. Se você prefere ignorar absolutamente tudo e me chamar de "arrogante", "agressiva" ou dizer que estou deturpando suas palavras, eu vou assumir que você é uma pessoa covarde que sequer saber interpretar um texto. Se você prefere ficar falando da maneira como seu "oponente" discorre, dizendo "achei agressivo e desnecessário" em vez de falar dos argumentos dele, eu vou assumir que você não tem argumento nenhum pra se contrapor aos do seu oponente. Se você prefere ser um mimizento, a escolha é sua, mas não espere que eu aceite ou concorde.

Toda e qualquer militância é válida. Eu apóio integralmente que as próprias feministas sejam um amor de pessoa e serem absolutamente gentis em seus textos, quase que pedindo "com licença, senhor opressor". Eu apóio integralmente que feministas, transfeministas e toda e qualquer tipo de ativista sejam agressivos e debochem dos seus opressores. Eu apóio, inclusive, as Marchas e o corpo sendo usado como arma e meio de expressão. Apóio flores dadas aos soldados, apóio gritos contra o machismo, apóio qualquer forma de se expressar - contanto que não fira a dignidade de ninguém (machucar, matar, etc). Vejam bem: toda militância é legítima.

E nenhuma deve ser deslegitimada por ser "mais agressiva", ainda mais por pessoas que estão em posição de poder - serem homens, cis, brancos, etc. Eu não vou autorizar que uma pessoa diga à mim como eu devo lutar, muito menos me dar conselhos de como eu deveria ser mais calma ou menos arrogante. Eu não permito que uma pessoa se sinta no direito de dizer para mim, como feminista, que eu mancho a reputação do grupo devido à minha arrogância - apenas porque fui mais assertiva do que se espera de uma mulher. Gostaria de lembrar ainda que ninguém nunca conseguiu direitos em lugar algum pedindo "por favor". Foi preciso gritar e gritar muito para que as minorias sejam ouvidas, e ainda é preciso incomodar para que alguém pense em nos dar atenção. Vocês podem até se incomodar com a Parada Gay e dizer que perdeu seu propósito político, mas se ela nunca fosse feita, os gays não teriam sua visibilidade garantida. Bem como a Marcha das Vadias, o Mamaço, entre outros movimentos. É essencial que as minorias sejam representadas e gritem o quanto for preciso para que isso aconteça.

Então quando você diz para mim que estou sendo agressiva e que isso é prejudicial ao movimento que eu defendo, você não está tirando apenas a minha legitimidade. Você está desqualificando não apenas a minha pessoa e os meus argumentos (que você ignorou), mas todo o movimento que defendo - que só chegou à uma posição de mais ou menos visibilidade devido à muito grito - que você abomina. Então não faça isso. Eu não vou autorizar. Você não pode pautar a minha luta, e nem a luta de ninguém. Não diga à mim que sou muito nova e que vou aprender muito na minha vida - não te pedi conselhos. Não me infantilize. Apenas leia a droga dos meus argumentos e responda-os decentemente.

Nem é pedir muito. É só você ter um cérebro e fazer algo de decente com ele.

essa sou eu pra 4897ª vez que ouço um "cê é muito 8 ou 80, cara, é só uma opínião diferente"
surpresa: não, não é. é dos MEUS direitos que cê tá dizendo que é contra!

terça-feira, 9 de abril de 2013

Semana 6 - Os super poderes que eu gostaria de ter se fosse uma super heroína seriam:

Eu nem vou começar a pedir desculpas porque ontem minha cabeça estava em um mundo voltado para imobiliárias, juiz de fora e temas do gênero, o que me impede de pensar concretamente sobre "poderes que eu gostaria de ter". Mesmo agora não estou pensando propriamente nisso, com outros temas na minha cabeça, BUT eu tentarei <3

#1. Teletransporte

Pensa só. Sem precisar de ônibus, hotel, avião, passagens, nada. Apenas euzinha mentalizando um X lugar e aparecendo lá na mesma hora. Eu teria diversos propósitos: eu me deslocaria para a escola assim e não gastaria dinheiro de passagem. Eu iria para a casa dos meus amigos assim que terminasse de me arrumar, sem precisar esperar por ônibus cujos atrasos só se justificam com eles tendo passado por guerras de orcs canibais. Eu iria para Juiz de Fora e visitaria os imóveis e pensionatos que poderiam me interessar. Eu poderia estar em Juiz de Fora e me teletransportar por um fim de semana apenas para visitar minha mãe aqui. Eu poderia visitar meus amiguinhos espalhados pelo Brasil. Eu poderia fazer muita coisa que quase dói isso não existir.

Inventem logo o teletransporte :(
 
eu não lembro dessa parte!!!!!!!! acho que não li hahaha
#2. Conversar com eletrônicos

Não riam.
Will, da revista Witch, tinha esse super poder. Ela conversava com o despertador, celular, microondas, etc. A bichinha passava por um aperto, porque todo mundo brigava muito com ela o tempo todo. Mas o despertador se esforçava para berrar o quanto fosse preciso até acordá-la e gritando coisas como "JÁ SÃO SETE E MEIA DA MANHÃ, WILL!!!!! VOCÊ ESTÁ ATRASADA!!!!" e o celular, por algum motivo mágico e misterioso, sempre sabia alguma coisa que Will não teria como saber apenas olhando as informações do celular. Mas ele fica fofocando com ela e se eu não estou enganada, ele já "se digitou" um número para ligar pra mãe dela quando Will estava com muita pressa. Eu poderia apenas falar para o meu celular e pedir educadamente que ele ligue para alguém, e assim não teria que digitar número de ninguém <3

(e eu estava refletindo que uma TV conversar com você é mais interessante do que a própria programação da TV)

#3. Controlar o tempo

E fazer ele condizente com a roupa que usarei no dia.
Prometo que usaria esse poder de forma consciente, respeitaria as estações e eu até não usaria as botas só para que tenha alguns dias de calor para quem gosta.

#4. Invisibilidade

Me parece legal. Poder sumir da vista de todo mundo a qualquer hora.

#5. Mover as coisas com a mente

Assim eu poderia, com a mente, pegar um copo lá na cozinha, encher de água e fazê-lo voar até aqui, para que eu não precisasse me levantar.

Como se vê, todas as coisas que eu queria são motivadas pela preguiça de fazer as coisas. Eu não quero voar ou nem ler a mente dos outros, sei lá. Eu não quero ser super-heroína não. Eu nem ao menos me interesso muito por filmes ou gibis do gênero, que dirá desejar ser um.

(só o teletransporte que realmente me corta o coração não existir)

domingo, 7 de abril de 2013

Confiança e Lealdade


lealdade
s. f.
1. Qualidade ou carácter de leal.
2. Fidelidade.
3. Sinceridade; dedicação.

Eu sou uma pessoa que demora a confiar nas pessoas. Não é que eu seja a garota estranha que senta no fundo da sala e rosna para qualquer um que chegue perto. Também não sou a alma de nenhuma festa e pobre de quem acha que eu animarei qualquer viagem escolar. Eu apenas demoro a confiar nas pessoas, e confiar, para mim, significa passar a compartilhar o que penso, o que sinto e o que desejo de mim e dos outros. Confiar em alguém significa compartilhar sua vida. Então todas as pessoas em quem eu confio são pessoas essenciais e, sem elas, eu provavelmente ficaria muito, muito triste e solitária.

Quando eu decido confiar em alguém, eu realmente confio. Se algum dos meus amigos quiser me ferrar emocionalmente falando, pode acreditar que eles podem fazer isso tranquilamente, porque entreguei todas as minhas armas e eles conhecem todos os meus pontos fracos. Os que me conhecem sabem como eu sou e como eu agirei diante de cada coisa. Porém eles nunca farão nada para me magoarem. Não que eles nunca irão me magoar. Eventualmente, isso acontecerá. Porque as únicas pessoas que podem, um dia, te magoar são aquelas que você ama - afinal inimigos jamais poderão te ferir de verdade. Mas eu acredito de verdade que eles nunca farão nada pretendendo me machucar. Eu tenho certeza absoluta de que eles querem que eu esteja bem, de que se preocupam comigo e vão estar lá quando eu precisar deles.

Isso se chama lealdade.

Esse é o tipo de coisa que eu não vejo muito nas pessoas. Às vezes eu tenho a nítida impressão de que as pessoas estão tão empenhadas em se protegerem de todas as ameaças do mundo, blindando a si mesmas, que se esquecem do quão bem pode fazer você realmente se entregar de vez em quando, sendo apenas você e mais ninguém. E então elas gastam muito tempo dizendo que todos são tão falsos e hipócritas, tecendo críticas venenosas assim que a pessoa vira a costa, sempre procurando um ponto negativo para falar a respeito. E tanta gente passa tanto tempo sendo venenoso e cheio de raiva, tanto tempo ofendendo outras pessoas e dizendo o quão é superior a todo mundo... essas pessoas estão se esquecendo que quanto mais negativas elas são, pior serão as relações sociais delas. Porque ninguém quer amar alguém que passa seu tempo se achando bom demais para todo mundo.

Eu passei muito tempo da minha vida aprendendo a ser uma amiga. Isso é muito mais difícil do que parece, quando você passa muito tempo com pessoas negativas que absorvem todo seu ânimo e distorcem completamente sua visão das pessoas. Mas o que eu mais queria e o que hoje tenho é simplesmente lealdade.

Ser leal à alguém é ter alguém para confiar e amar, respeitar e proteger. Ter alguém leal a você é ter alguém que preze pelo seu bem estar e te respeite inteiramente como uma pessoa inteira, alguém que possa lhe servir de consolo nos momentos ruins e ficar realmente feliz por você nos bons momentos. Não existe coisa melhor no mundo do que perceber que isso não é nenhuma invenção de livros como Crônicas de Gelo e Fogo, no qual vassalos juram lealdade aos senhores o tempo todo. A melhor parte é que ninguém precisa morrer por ninguém, pelo menos no meu contexto social :)

Eu não sou leal à muitas pessoas. Há muitas pessoas que eu gosto e admiro, e pessoas que eu prezo uma boa relação e respeito por ser quem são. Mas são poucas as pessoas que eu sei que me aceitarão de qualquer forma, me respeitam de qualquer jeito e me amam assim, mesmo sabendo de todas as minhas falhas. São essas pessoas que merecem toda a minha devoção e é nelas que eu pensei quando resolvi traçar no meu corpo a própria palavra e a âncora. Porque eu queria lembrar quem são as pessoas que me fizeram chegar até aqui, e sobre como eu nunca, nunca devo trai-las. Que eu devo ser boa e honrada não apenas por mim mesma, mas porque elas esperam isso de mim. Porque elas merecem isso. Elas realmente merecem isso.

Elas merecem tanto que eu passaria mil vezes pela dor que senti quando fiz essa tatuagem, se fosse necessário. Porque elas merecem o mundo inteiro e mais um pouco.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Decoração: "cantinhos" sendo aproveitados!

sim, tema do post hoje é decoração <3
Eu estou tão feliz porque, finalmente, eu fiz a minha segunda tatuagem (coisamaislindaawn <3), e porque ando me animando mais para o final do mês que me brindará com uma mudança para outra cidade e começar uma vida normal. Isso me assusta pra caramba, mas ficar com medinho não vai me ajudar em nada. Então o negócio é ir me ajeitando para as paradas e ir ajeitando as coisas. Eu preciso arrumar MUITA coisa antes de ir (ir ao banco ver minha conta, deixar tudo organizado no netbook pra minha mãe poder usá-lo já que levarei o desktop, etc), e menos que um mês para arrumar tudo. O negócio é que ultimamente eu estava muito obcecada por blogs de decoração. Não sei exatamente o motivo, já que considero inviável a esmagadora maioria dos assuntos tratados (em outro universo paralelo, talvez eu possa ter um apartamento assinado por fulana de tal), mas mesmo assim são tão divertidos <3

Mas aí entra a minha imensa vontade de compartilhar as coisas que eu acho com vocês (qualquer coisa, corre pro meu Pinterest onde estou sempre favoritando coisas do gênero!) e meu eterno complexo de "isso é muito exagerado, só eu que gosto disso". A real é que ODEIO, ODEIO, ODEIO (com todas as forças da minha alma que tem lua em Escorpião) decoração formal, clássica, toda trabalhada em tons de bege-claro, bege-médio e mil tons de brancos (desde branco puríssimo até branco-um-pouco-sujo-meio-opaco). Eu ODEIO. Assim como eu detesto cinza na decoração. Não que eu odeie essas cores, muito pelo contrário. Mas uma casa toda inspirada nesses tons, parecendo a réplica da casa de alguma esposa do Vice-Presidente dos Estados Unidos, eu realmente passo longe. Porque eu sou dessas pessoas que gosta de sofá vermelho, parede amarela e geladeira rosa-super-neon. Eu realmente sou assim.

(e eu realmente amo casas inspiradas em uma vibe mais cigana, indiana ou árabe. Acho muito, muito aconchegante.)

Eu descobri, graças à um blog chamado Lofted, que aquele negócio que nós chamamos simpaticamente de "cantinho da casa" é chamado no meio da decoração, em inglês, de "nook". O que significa uma Luna muito feliz digitando "nook decor" no Google e amando muito tudo isso, porque eu sou a pessoa mais apaixonada por cantinhos, mais do que o resto da casa. Então meio que plagiando o post do Lofted (desculpa aí, Ana Carolina), resolvi fazer uma seleção dos ~nooks~ que eu mais curti <3

(e eu sei que esse tipo de post não é comum, mas, gente, é o tipo de coisa que me relaxa. Não posso falar só de coisa que acaba me estressando)

♥ Na real, eu catei as fotos no Pinterest. Sou muito noob com lá ainda, então, na real, não sei de onde veio cada foto. Desculpa aê :( 

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Por que você é tão agressiva?



Eu estava aqui refletindo de madrugada sobre o quão cansativo é ficar falando de feminismo, opressão, esse tipo de debate. É exaustivo, é frustrante, é tenso porque você tá mexendo com mulheres marginalizadas, machucadas, feridas. É triste porque você está falando de violência, de cultura de estupro, de invisibilização das negras, trans*, etc. É muito, muito desgastante psicologicamente falando ver notícias sobre mais uma mulher estuprada todos os dias. Eu entendo todas essas pessoas que passam seus dias fazendo blog de moda, falando de decoração, de música, de coisas fofas e legais, porque, cara, ninguém quer falar disso. Eu acho horrível me expor a esse tipo de conteúdo todos os dias, ler comentários da galera do G1, ver o quão ainda falta pra termos uma sociedade bonita e legal. As consequências disso sobre a minha pessoa não são legais. 

O que mais me mata é que não estamos pedindo muito. Cara, estamos? É só um direito. Direito ao casamento civil para todos os gêneros. Direito a não sermos violadas e, caso sejamos, a sermos ouvidas e tratadas com respeito. Direito a não sermos sexualizadas a cada segundo, independente de sermos atrizes ou deputadas federais. Direito a não termos que aturar gente satirizando a cultura de estupro, tratando a nós como motivo de piada. Direito a tanta coisa que é tão, tão básico, mas não parece. Parece que estamos pedindo muito. Os caras ficam lá na bancada sendo um bando de escrotos mimizentos, choramingando que agora são obrigados a verem homem com homem e mulher com mulher e que isso é uma falta de respeito e, cara, minha educação já foi pra puta que pariu.

Não me entendam mal. Eu gosto de ser educada. Acho que educação faz bem e minha mãe me ensinou a respeitar direitinho os outros. Não sei vocês, mas acho super indelicado perguntar dos genitais de alguém ou da vida sexual sendo que você não é amiga íntima. Então eu não pergunto. Posso até morrer de curiosidade sobre uma ou duas coisas, mas eu não pergunto quando sei que aquela pessoa pode não receber bem. Isso se chama educação. Isso se chama respeitar a privacidade dos outros. Assim como fui educada a não sair xingando ninguém e nunca fui uma pessoa de ir nos perfis das pessoas e ficar ofendendo elas. Se vocês não receberem essa educação, posso fazer nada. Mas eu acredito que isso é o básico. O básico do básico.

Porém eu não sou educada nesses casos. Percebam bem: não é que não consigo. É que não sou. É uma escolha minha. Já me criticaram por ser muito agressiva e que as feministas deveriam ser mais amenas, mas o negócio aqui é que ninguém conseguiu seus direitos pedindo com licença. Se Bolsonaro vai ficar gritando pro povo tomar no cu, como já fez, inclusive, não sou eu que vou ficar toda preocupadinha se ele vai ficar ofendido ou não. Jean Willys é muito educadinho, porque é a obrigação dele como deputado e ele tem respeito pelo senso de decoro e etc, mas eu não. Não tenho obrigação de mostrar meus dentinhos e agir como princesa pra gente que é apenas escrota. Eu não tenho obrigação de fazer isso com ninguém. Se tu não tem educação suficiente pra ser respeitoso com outras pessoas, não tem motivo para outras pessoas te respeitarem. 
Sabe aquela frase? "Se quer respeito, dê-se ao respeito"? Apesar da distorção incrível e a frase só ser usada com mulheres que, por acaso, tiram fotos insinuantes e aí ninguém respeita (porque, por motivos obscuros e totalmente loucos, tirar fotos insinuantes é algo que abaixa o valor da mulher. Eu não entendo essa galera que sexualiza qualquer pedaço de pele), eu acho que a frase é muito real. Dê-se ao respeito, cara. Não seja um cretino. Não fique sendo escroto com ninguém não. Porra, abaixa o facho, cala a boca e ouve um pouco. Respeita os outros e o espaço dos outros que aí todo mundo te respeita direitinho. Se Feliciano tivesse um mínimo de bom senso, tinha calado a boca e não falado nada. Se ele entendesse o quão absurdo é ele querer ser presidente da comissão que trata de minorias sendo que ele acha que gay tem mais é que passar por um exorcismo brabo e virar hetero, ele nem tentava virar presidente de nada. Mas ele não tem, não é? Não se pode exigir bom senso de gente assim, porque senão a gente não tinha essa confusão toda, para começar.

Essa história de exigir mais amorzinho das feministas para com seus opressores me soa como o pior argumento de todos os tempos. Por muitos motivos. Primeiro, porque quando um homem chega e fala pra uma feminista que ela não pode ser agressiva, ele está se achando no direito de pautar a luta de uma minoria inteiro. Acontece que as únicas pessoas que podem decidir pelo quê e como devem lutar são as pessoas que fazem parte da minoria. Eu não posso virar para as pessoas trans* e dizer CARA ESSE PAPO DE FICAR LUTANDO PELO NOME SOCIAL É UMA BREGUICE, MANO, LUTEM POR OUTRA COISA, SEI LÁ, SARNEY NO PODER!!!!11!. Eu não tenho esse direito. O movimento trans* que decide as próprias pautas e eu só posso escolher apoiar ou não. É exatamente isso que os homens devem fazer em relação às mulheres, brancos em relação aos negros, etc, etc, etc. Eu acho cafona dizer isso, mas é verdade: só quem experimenta a opressão pode falar sobre a dor que sente. E o quão ela a afeta. Então um cara faz merda e depois se acha no direito que estou sendo muito agressiva, a única coisa que vou fazer é permanecer agressiva.

Você faz merda, você aguenta as consequências.

O segundo ponto e é o ponto que eu considero mais cruel é quando você critica as feministas por elas estarem sendo energéticas (porque, sendo sincera, na maioria das vezes, elas sequer estão com archotes e tridentes pedindo a cabeça dos mascus numa bandeja), você não está sendo original. Você está agindo junto com os caras dos séculos passados que diziam que qualquer alteração emocional na mulher era uma doença. Quando você fica "ui tá de TPM?", você está dizendo que ela não pode ficar furiosa, indignada ou com raiva por motivos legítimos. Quando você culpa os hormônios ou apenas insinua que elas estão loucas, você está tirando todo o valor da reclamação dela. Em suma, você está deslegitimando as reinvindicações dela e a tratando como se fosse uma criancinha que não sabe direito o que quer da vida. E isso você não tem o direito de fazer.

Ninguém tem.

Eu não sou louca. Eu não estou sendo histérica. Eu não estou de TPM. Eu não vou agir como a princesinha dos contos de fada porque você pediu. Sim, estou sendo agressiva, ácida, sarcástica, irônica e destrutiva. E, acredite, se você fala uma merda, eu não tenho obrigação alguma de ser paciente e mamãezinha com você. O Google existe e se você não sabe nem o que é feminismo, eu não vejo o porquê de ter que te ensinar porque você está me oprimindo. Google tá aí. Blogs feministas estão aí. Meus próprios textos estão aí. E você pensa que está sendo original, mas eu vejo suas merdas compartilhadas pelo mundo inteiro cem vezes por dia.

Então cala a boca e ouve.
É a coisa mais inteligente que você faz.














♥ Todas as imagens do post foram retiradas do tumblr fuckyeahsubversivekawaii. Um dia eu falo mais a respeito da misandria (presente nesse tumblr) e racismo reverso, entre outras coisas.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Semana 5 - Fazem parte da minha wishlist:


 #1. Projeto de Constelação

Por apenas R$ 49,90 você leva uma maquininha super foufa que projeta um monte de estrelas na parede! Eu já falei que sou obcecada por coisas brilhantes e estrelinhas fazem parte da minha lista, de modo que eu quero muito um negócio desses, mas eu sou da classe C e classe C não paga 50 reais em coisas só porque elas são bonitas quando precisa guardar dinheiro para coisas mais importantes, tipo fazer uma mudança para outra cidade e pagar aluguel e coisas do gênero.

Mas ainda assim, eu quero pra mim :)
 
#2. Uma câmera profissa

Eu apenas não decidi por um modelo, porque pode ser que até eu conseguir $$$ pra uma câmera dessas, algum modelo tenha saído de linha e outra tenha aparecido, essas paradas. Mas eu provavelmente optarei por uma DSLR da Canon, e gostaria muito de já comprar uma lente 50mm. <3
 
#3. Bionic Fan Edition

Um box maravilhoso com cd poster vinil o diabo a 4 do Bionic à venda por apenas R$ 102.68, mas vai tentar convencer tua mãe de que é super razoável pagar isso tudo por causa de uma coisa que é apenas um álbum que cê pode baixar na internet.

Aceitando de presente, porque sim.

(também tô aceitando o Deluxe Your Body Edition que tem um caderninho de fotos lindas e o cd deluxe do Lotus com capa holográfica por R$ 112, 95 bj)

 
#4. Blond Me e/ou Igora

Na verdade, queria dinheiro infinito para comprar todas as coisinhas capilares do universo, mas é que essas são as mais caras e são os descolorantes deuses do reino dos produtos capilares. O Blond Me clareia nove tons, o que é muita coisa se você precisa de cabelos praticamente brancos para pintar de roxo, azul ou verde por cima (como é meu objetivo)

 
não precisa ter a estampa de vaquinha, gente. pode ser uma geladeira normal
#5. Uma geladeira

Sério.
Estou de mudança para Juiz de Fora em um mês.
Eu PRECISO de uma geladeira. Aceito dicas de promoções, ofertas, cupons de desconto ou a própria geladeira mesmo, no problem. ♥

E estou refletindo, olhando para a minha listinha de desejos, o quanto eu sou uma pessoa tão, tão, tão chata e entediante.